Educação | Pulseira Electrónica
¬Article by CJT with 3 comments
22 Sep 2008Não sou exactamente o tipo exemplar de pai e educador. Sou aquilo que se convencionou chamar “pai ausente” e que, uma vez chegado ao lar, não tem sequer ideia do que se passou durante o tempo de afastamento, limitando-se a constatar em vez de precaver, a tomar conhecimento em vez de alertar. O meu filho, já homem, tem podido contar com uma mãe muito mais activa neste campo (e nos restantes), e é sobretudo graças a ela que tem crescido.
Apesar das dificuldades óbvias a que tem sido exposto durante o seu crescimento e de muitas vezes a vida não lhe corresponder às expectativas – a ele e a nós -, as suas dificuldades, comportamentos ou insucessos que pontualmente surgem, nunca foram desculpadas pela actuação de escolas ou professores.

Uma das principais características dos pais actuais é a de remeterem integralmente a educação dos seus filhos para os professores. Se já muito acerca disto foi dito, também por aqui, muito há ainda a dizer, a julgar pela aparente satisfação de pais que se congratulam com um cartão “Big Brother” ou com professores que não se coíbem de desempenhar esse papel.
Um estado de direito, como pretende ser o nosso, que assegura as liberdades e garantias dos seus cidadãos num quadro de liberdade individual e obrigação colectiva, não pode sujeitar os cidadãos que irão desempenhar o seu importante papel numa sociedade que se quer livre a algo que colide com os mais básicos princípios da liberdade do ser humano, tenha ele que idade tiver.
O estado, como os cidadãos pais ou não, deve cuidar dos seus rebentos e jovens até à idade activa e, dado o estado providencia, cuidar das suas garantias mesmo durante e após essa mesma idade activa.
A segurança, a saúde, a educação, o trabalho, entre outros, são zonas preferenciais de actividade de um estado cujo primado seja a igualdade, liberdade e justiça. Não pode, no entanto, abdicar de umas em favor de outras.
A falta de segurança não pode ser combatida com atentados à liberdade. A falta de igualdade não pode ser combatida com atentados à liberdade ou à justiça. E vice-versa, vice-versa.
O cartão electrónico que irá ser alargado a todas as escolas dos 2º e 3º ciclo e secundário é um atentado à liberdade dos alunos com a desculpa da segurança, da saúde e da higiene.
Se as crianças e adolescentes que povoam a nossa escola têm problemas de ausências ou consumo de açúcar, devem ser os pais, com o auxílio dos professores e demais educadores, a educar e instruir os filhos no sentido de tomarem opções de vida com futuro, saudáveis e rentáveis do ponto de vista pessoal e social.
Não vai ser um professor, e muito menos um cartão, a substituí-los.
O que vem a seguir? Pulseira electrónica?




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¬ shyznogud
#788 September 22nd, 2008 at
Nem de propósito, acabei de me lembrar de outro post q tinha escrito onde, a certa altura, exclamava “Ler este artigo fez-me pensar umas quantas vezes “Belisquem-me, não pode ser verdade!”.”75% dos pais ingleses comprariam uma pulseira electrónica para seguir os filhos”… pulseira electrónica?!”. Se quiseres passar os olhos no texto q lhe deu origem aqui fica:
http://www.scribd.com/doc/6156420/Tecnologia
¬ Educação | Pulseira Electrónica 2 ou «Ponham-lhes uma Trela» | : fractura.net!
#789 September 22nd, 2008 at
[...] a sugestão da shyznogud, fica aqui um excerto de um post por ela publicado há algum tempo, em que se descobre, como diz, [...]
¬ CJT
#790 September 22nd, 2008 at
@shyz: thanx!É qualquer coisa… e a seguir? Trela, solitária, guardámo-los em quartos vigiados sem contacto uns com os outros?
Pôrra, pá… ele há pais que nem sabem o que dizem.
Chama-se a isto “construir uma sociedade”, não é?…
Olha… segue aditamento em http://fractura.net/opiniao/educacao-pulseira-electronica-2-ou-%c2%abponham-lhes-uma-trela%c2%bb/