Política | A Opulência do PowerPoint
¬Article by CJT with 0 comments
30 Sep 2008A já mais que famosa imagem de marca de Manuela Ferreira Leite, resultante de uma pretensa estratégia de sobriedade apoiada num silêncio que mais não revela o imenso vácuo de ideias que é o PSD actual, tende a acentuar-se ainda mais, a fiar na atoarda da opulência do congresso do PS em terras de Guimarães. Uma reacção um tanto ou quanto a fugir para a humildadezinha pacóvia que em outros tempos, felizmente idos, se apregoava.
Sabemos que José Sócrates vem, dia após dia, a adoptar maneirismos de Obama. Também sabemos que o PS parece apostado em adoptar algumas fórmulas de marketing político americano. O que não sabíamos é que essa forma de fazer as coisas se traduz simplesmente numa opulência insultuosa aos cidadãos vimarenenses e aos portugueses em geral. Ficamos ainda a saber, pela boca de Manuela Ferreira Leite, que a utilização de PowerPoint como teleponto é, também, uma manifestação dessa tão famigerada opulência, o que me faz pensar em que século parou a líder do PSD, no que respeita às ferramentas usadas para intervenções públicas.
Mas o maior problema do discurso de Manuela Ferreira Leite em relação ao congresso do PS é o facto de se ficar pela forma, deixando passar em branco o conteúdo. Assim, a líder do que deveria ser o maior partido da oposição deixa-se uma vez mais enredar pela falta de ideias, tentando dar ares da sua graça apelando ao fait-divers gratuito.
Manuela Ferreira Leite não está, em definitivo, bem aconselhada. Deveria saber que, se opta pela frugalidade das palavras, é escutada com duplicada atenção de cada vez que falar. Mas deveria ter presente que tal só resulta se os conteúdos interessarem e que, a não conseguir conteúdos, passará a nem sequer ter audiência que a espere.
Mas deveria saber, antes disso, que mais que estar calada, mais que criticar congressos, mais que criticar políticas, o seu trabalho é apresentar ideias e propostas. E disso não se tem visto vindo dos lados laranja. Nem isso, nem ao menos um espectáculo que nos entretenha, nem nada.



