[ fractura.net ]

“não quero ter razão, basta-me a lucidez”
Imagens Aleatórias

O Fractura.Net é da responsabilidade de Carlos Teixeira. Subscreva o RSS: Entradas | Por E-mail. Cartas para: fractura.net@gmail.com. Visite mais trabalhos do autor em Comunicação Empresarial. Este blogue está integrado na rede de bloggers lusófonos TubarãoEsquilo.


Arquivo da categoria ‘[ por soldar ]’


Hibernação

A coisa está a ficar complicada para estes lados. Manter dois blogues enquanto se enfrentam desafios no trabalho, trabalhos na escola e, no fim de tudo isso, ainda se tenta arranjar algum tempo para o que realmente interessa - a família e os amigos - é obra.

O que se passa é que, neste momento, estou com uma enorme dificuldade em alimentar estas duas bocas aqui na TubarãoEsquilo. Vai daí e, tendo-me aconselhado com quem percebe mais disto do que eu, resolvi colocar este blog em hibernação e concentrar esforços no Comunicação Empresarial.

A ideia é, pelo menos durante algum tempo, passar a escrever por lá tudo aquilo que escreveria em ambos os blogs. Isto não só me dará menos trabalho, como me permitirá uma regularidade de publicação com mais frequência. Findo este período mais complicado, voltarei aqui. Por isso, façam o favor de não desactivar a leitura de feeds e as subscrições de e-mail. A coisa não acaba aqui.

Relativamente ao Comunicação Empresarial, este passará a contar com um espaço de publicação de artigos de carácter mais opinativo, não sendo de todo descabido fazê-lo. Afinal, o Fractura tem vindo cada vez mais a tratar da comunicação e isso cabe por lá, de certeza absoluta. E, de qualquer forma, nada impede que um blogue que trata essencialmente de comunicação publique também artigos de opinião e informação acerca dos mais diversos assuntos da actualidade e sociedade. E, indo lá a partir de amanhã, poderão verificar isso mesmo.

Como tal, sugiro aos leitores deste blogue que passem por lá. Aos leitores que subscrevem o Fractura por RSS ou e-mail, poderão fazê-lo por lá também: subscrição RSS | subscrição E-Mail. Para além disso, este blog está ainda optimizado para a leitura em telefones celulares.

A todos os leitores deste blogue, os meus agradecimentos pela atenção com que me têm distinguido. Sigam-me agora as palavras por lá. Até breve, por aqui.

O Noticiável

O Noticiável 

Regresso à base após uma semana de ausência. Verifico que, por motivos alheios à minha vontade, os posts que tive o cuidado de agendar para este período não foram publicados. Caprichos do WordPress que, de quando em vez, dá nisto; ou mais um sintoma da minha costumeira distracção - creio que isso agora não importa.

O que importa é que a notícia é o que era na semana anterior. Carolina Michaelis - o trema, a trama, ambos inexistentes -, a escola que parece, de repente, resumir todo o ambiente vivido nos estabelecimentos de ensino e os perigos de que se reveste a profissão de professor. E, atalhando, a coisa é simples: uma aluna vê-se a braços com a situação de ver o telemóvel confiscado e, violentamente, responde-lhe. A professora, apesar de toda a experiência profissional que possui, cai na esparrela e desce ao nível da aluna. Um outro aluno, munido da ferramenta necessária à publicação de imagem, faz a cobertura em forma de reportagem no local. Há imagem, há violência verbal e física, existem adolescentes embriagados pela circunstância, existe uma mulher em perigo, assiste-se ao descalabro dos valores que durante tanto tempo vigoraram e regularam a sociedade. Todos os condimentos estão lá, a audiência está garantida.

Há que prolongar a telenovela enquanto a coisa estiver a dar. Desdobram-se reportagens, opiniões, notícias diversas de escolas diferentes. São publicados artigos nos jornais, vindos das mais diversas proveniências. A blogosfera discute a coisa em peso. Jorge Coelho conta o caso de alguém que conhece, vitima de abuso na escola. Lamentavelmente, não existe registo de imagem. Não noticiável, portanto. Assim como o não são dezenas de outros casos por esse país fora.

Entretanto, as notícias aparecem com conclusões: os alunos irão ser transferidos, a professora começa a dar aulas, os telemóveis estão proibidos no Carolina Michaelis e sob o risco de serem confiscados. Os jornalistas estavam lá todos, hoje de manhã. Não sabemos o que aguardavam. Talvez nunca o saibamos e a notícia seja de que as aulas recomeçaram dentro da normalidade. Talvez umas imagens de alunos que dêem a opinião acerca do assunto, porque interessava sabê-la. Ou talvez não.

Ficam no ar algumas perguntas: o que é feito da geração multitasked e multiplexed tão sonhadoramente saudada? Porque é que o Carolina pode confiscar telemóveis e entregá-los à polícia ou a instituições? É legal? E se o é, é ético? E se o é, por que o é somente no Carolina? E vai ser essa a solução? Esgota-se aqui? Lamentavelmente não possuimos imagens que possam responder a estas e outras perguntas. Por estas horas, os jornalistas ainda hão-de estar à porta do Carolina.

Finalizo dizendo que, contra a opinião que me parece geral, as coisas no meu tempo também eram assim, esta situação também seria possível. Porque a juventude e a escola eram a mesmas, porque os adolescentes e os professores eram os mesmos. Só não havia telemóveis e os canais de televisão eram apenas dois.

Comunicação Alternativa - O Outro Lado da Questão

Comunicação Alternativa - O Outro Lado da Questão 

Tinha escrito por aqui que é a comunicação feita pelo cidadão comum aquela que está a garantir a cobertura de algumas ocorrências às quais os órgãos de comunicação social tradicionais não têm acesso, oportunidade, ou interesse em lá chegar. Como disse, os telemóveis e blogues espelham, um pouco por toda a parte, essa ânsia de partilhar a informação de que se dispõe, com claras mais-valias em casos de atropelos aos direitos humanos ou naqueles em que tragédias ocorrem e que impossibilitam a adequada cobertura do acontecimento. Estes são os responsáveis por espoletar os pedidos de auxílio internacionais e pelo alerta para a realidade, pela divulgação de imagens e textos não sujeitas às regras que são observadas pelos media tradicionais.
Mas existe um outro lado, o da utilização abusiva da imagem pelos que da tecnologia dispõem e, mais grave ainda, o eco que é feito a essas mesmas imagens. Como exemplo para o primeiro caso, tomo o de imagens que são registadas sem conhecimento ou mediante manipulação dos visados e subsequente publicação na Internet. E por aí há de tudo: desde o simples “apanhado” até à imagem de um casal na intimidade, após uma festa bem bebida. Como exemplo para o segundo caso, tomo as imagens da aluna, da professora e do telemóvel.
Este caso dá-nos que pensar e creio que é razoável pegar nas duas questões da Madalena Oliveira como ponto de partida para uma reflexão:

Deve ou não o vídeo ser divulgado? Está no YouTube e de acesso generalizado, mas devem os órgãos de comunicação social “tradicionais” ampliar o efeito?

Certo é que as imagens são já públicas, embora o sejam sem a autorização dos intervenientes estar devidamente esclarecida. Mas, supondo que essa autorização não existe, qual a posição de um jornal em relação ao assunto? E, se o está, até que ponto é “noticiável” um vídeo - no caso, o tal da aluna, da profesora e do telemóvel - que demonstra, tão somente, o acumular de erros e tensões, em conjunto com a paródia instalada?
É a realidade, dirão uns, e como tal deve ser noticiada. É a realidade, dirão outros, mas como tal deve ser tratada de forma a que não se transforme em regra.
A carga simbólica das imagens transmitidas é-o sob a forma de imagem sem edição, com recurso ao texto oral, este apresentado também sem edição. O objectivo da emissão deste vídeo parece-me indiscutível: remeter o público para o medo de uma sociedade em convulsão, cujos valores estão em mutação e escapam já à compreensão da maioria. Mais que alertar, provoca sensação. É uma notícia, para todos os efeitos, sensacionalista. Torna-se assim discutível a estreita relação entre informação e manipulação da informação que, neste contexto, me parece óbvia. Entretanto, subsiste a questão: como tratar este tipo de informação?

Que papel terá o telemóvel [com vídeo] na divulgação das situações várias do nosso quotidiano? É um “realizador” em cada um de nós? Ou um Big Brother?

O telemóvel com vídeo, à semelhança de outros aparelhos de registo de som e imagem, desempenhará um papel cada vez mais importante na comunicação, seja ela de que tipo for.
A divulgação de imagem e som está, para já, no limbo das garantias de liberdade individual e do direito ao nome e imagem. A realidade é que pouco ou nada se pode fazer, não sendo previsível que se tome alguma medida em relação ao assunto em tempos próximos. Os aparelhos referidos são utilizados em meios e sistemas de comunicação complexos e a sua transmissão, retransmissão e difusão escaparão ao controlo, a não ser que medidas sejam tomadas. E estas medidas, a serem-no, serão sempre de carácter censório, dada a dificuldade de manter os canais separados uns dos outros, o que provoca a situação de, ao obstruir uns, obstruir muitos.
E depois, quais serão os critérios para uma avaliação da rectidão dos conteúdos? Esta é uma discussão sem fim.
Apesar de todas as dúvidas éticas e filosóficas, a tendência generalizada é considerar que é necessária uma legislação e meios para cumprir a tarefa de filtrar conteúdos. Pessoalmente, tenho vindo a mudar a minha opinião acerca do assunto, um pouco ao sabor dos acontecimentos, que vêm, neste e noutros campos, a precipitar-se em catadupa.
A experiência que tenho vindo a ter na utilização da Internet como veículo de expressão popular, democrática e libertária de todas as camadas sociais com acesso a este meio, é a de que um tipo de código ético é apenas possível no quadro de um tipo de convenção subjectiva, isto é, a ter efeitos no interior de cada organização que se faça representar no meio. Um código de carácter objectivo não é possível, desde logo por se tornar incompatível com a globalidade das legislações, cada qual com as suas especificidades.
O que quero dizer é que nada impede que os jornalistas portugueses tenham um código específico para o trabalho online, à semelhança dos comunicadores de relações públicas ou das redes de bloggers. Tal será impossível, pelo menos sem recurso a complexas negociações, se quisermos fazer algo do género que englobe jornalistas de vários países ou englobando jornalistas e bloggers. Completamente impossível - e talvez indesejável - será fazê-lo à escala da Internet ou da blogosfera.

Estas ferramentas de registo dão, efectivamente, a oportunidade de cada um de nós se transformar num realizador. E isso tem vindo a provar-se com frequência, existindo trabalhos de jornalismo e de vídeo muito bons, publicados um pouco por toda a parte. A possibilidade de cada um de nós se transformar num Big Brother poderá ser apenas verificada se, numa primeira linha, a comunicação social o potenciar e, numa segunda linha, os poderes aproveitarem a ocasião. Não creio que o cidadão comum possa, algum dia, concebê-lo.
Estou a pensar, por exemplo, numa situação em que eu, munido de uma câmara e juntamente com mais dois ou três comparsas, decido começar a perseguir pessoas ou a vigiar um bairro em busca de algo mais comprometedor. Decididamente, não estarei a fazer mais que muitos órgãos de comunicação social não façam já, com recurso a diversas técnicas mais ou menos claras, mais ou menos legais, sobretudo discutivelmente éticas.
A única diferença reside no facto de o site que eu decida montar seja facilmente apagado, ao passo que fechar uma publicação da comunicação social será, em princípio, impossível, sendo mais normal uma multa e indeminização e, em caso extremo, o julgamento do jornalista.

Concluindo, embora ache as perguntas de Madalena Oliveira de grande utilidade à reflexão em torno deste assunto, creio que o artigo tem um grande problema: o título.
As pessoas sempre disseram coisas, sempre tiraram fotografias, sempre tiveram opinião. Sempre foram boas, sempre foram más, rectas, corruptas. O que se verifica actualmente é que essas pessoas têm agora acesso ao que estava reservado apenas a alguns, até há algum tempo: aos meios.
O problema não está no jornalismo-cidadão. O problema está no aproveitamento pela parte dos órgãos de comunicação social de tudo o que lhes possa proporcionar resultados de audiência. Por jornalismo entende-se o que os jornalistas quiserem que se entenda, cidadão ou não.

Como disse um reputado jornalista numa conferência a que assisti recentemente, “a ética desapareceu do jornalismo a partir do momento em que o seu principal objectivo passou a ser ganhar audiências“.

Entretanto, aguardo as mudanças. Serenamente.

Este artigo foi escrito em 22-03-2008 e a sua publicação foi diferida para esta data. Ausente de momento, voltarei lá para 31 de Março, altura em que darei a devida atenção aos comentários e e-mails relativos a este e outros assuntos.

Arthur Charles Clarke [R.I.P]

Arthur Charles Clarke [R.I.P] 

“Está ainda por provar que a inteligência tenha algum valor para a sobrevivência.”

Arthur Charles Clarke

Reflexões por alturas da sua 90ª órbita em torno do nosso Sol [vídeo, 9 minutos]

Cinco Anos de Guerra em Imagens

A Reuters, em parceria com MediaStorm, lançou um belo trabalho sobre os cinco anos de horrores na guerra do Iraque. Narrando o que é testemunhar o conflito, repórteres, fotojornalistas e produtores apresentam em vídeo, imagens e sons o que é a guerra. Além disso, existe uma linha do tempo simplesmente magnífica.

Alberto Marques

Membro da Tubar㯅squilo, uma Rede FeedBurner.

  • Arquivos

  • Meta