>Eis que arranjo tempo para publicar artigo e, para reinício de hostilidades, nada como pegar no tema do trabalho da SIC em relação à Internet e blogoesfera e, mais concretamente, ao seu carácter nefasto e perigos diversos que, descobre-se por lá, não só são atentatórios da segurança das pessoas, como são manifestas armas de terror apontadas às nações.
E, para começar, nada como uma provocação: E NÃO É QUE TUDO ISSO É VERDADE?
Senão, vejamos:
1.
Sites pornográficos: são o melhor negócio da Internet – sem controlo aparente e sem qualquer tipo de limitação na visita, exibem imagem e som das mais variadas espécies, não se coibindo de tornar públicas logo na primeira página, isto é, sem a necessária [e inútil] autenticação de maioridade, todo o tipo de temática que o seu enorme catálogo disponibiliza.
Na realidade, a Internet tem sido a mais útil arma de banalização da pornografia, com material para todos os gostos e para todas as idades. Esta banalização tem levado a pornografia a extremos, dada a exigência dos seus consumidores em obter “guiões” cada vez mais hard-core, com autênticas características “snuff”.
Um dos grandes problemas dos sites pornográficos é a liberdade de acesso por qualquer criança. Outro dos seus grandes problemas é o da falta de comprovativo de os filmes serem protagonizados por maiores de idade e de livre vontade.
Mas a banalização não nos chega apenas da Internet. Chega-nos também dos órgãos de comunicação social que não se coíbem de publicar uns quantos anúncios na secção “relax” da imprensa escrita, de página aberta a todos os que queiram ver as profusas ilustrações e descritivos. A rádio, por sua vez, parece apostada em programação com o tema relacionada e tratada, a maioria das vezes, com leviandade. Quanto mais dirigido à juventude a programação for, mais essa leviandade é visível [audível], não sendo rara a alusão e mesmo descrição de vídeos pornográficos, como matéria de “humor”. Por fim, na televisão, os programas de cariz pornográfico não são ainda permitidos, pelo menos a horas de consumo massivo. Mas esperemos que o sejam, pois passarão a ser exibidos, seja qual for a sua fonte e forma de concepção, podendo assim as estações passar algo mais que os constrangedores anúncios de telefones eróticos, com representações visuais de teenagers ou dos mais diversos fetiches, ou dos strips passados na Radical [para não falar da célebre apresentadora de notícias que fazia voar uma peça de roupa a cada parangona dita. Por enquanto, contentemo-nos com programas de pseudo-entrevista que, num e noutro lado – da TV e da Rádio – vão facultando aos sentidos aquilo em que a imaginação é parca.
2.
A manipulação das crianças: é uma realidade. Mas, como escrevi num artigo precisamente chamado “Manipulação das Crianças”:
«A meu ver, este tipo de prática não é, infelizmente, tão anormal quanto possa parecer. Se pensarmos bem, não é somente na Internet que isto se passa, bastando um passeio pelo hipermercado para observar comportamentos semelhantes. Condenável sob todos os aspectos, este tipo de marketing é dirigido a quem não tem hipótese de se defender deste tipo de atitude agressiva. Invasivo, é um marketing que não hesitará mesmo contornar a supervisão dos pais, fornecendo para tal as ferramentas necessárias às crianças e que lhes permitam fugir ao despiste do histórico no browser. Não são raros os sites que explicam como fazer isso às crianças e, observando e ligando as coisas com alguma atenção, poderemos chegar à conclusão que estes sites não são tão inocentes como isso e que poderão revelar ligações a empresas ou produtos. De clique em clique, as crianças acabam por lá ir parar.»
O mesmo é válido para, uma vez mais, para a televisão e a rádio, a par das mais diversas publicações impressas. Bastará um breve olhar a uma banca de revistas para nos apercebermos da quantidade de escritos existentes com mensagens que nem sequer necessitam de ser subliminares. Estou a recordar-me dos meus tempos de meninice em que suspirava por um Danone de cada vez que lia um livro do “Cebolinha”. E recordo ainda mais precisamente o que se passava com o meu filho de cada vez que lhe comprava uma banda desenhada: logo haveria de vir o pedido do boneco daquele herói ou outro merchandising associado. Na rádio e na TV, a coisa não se fica por menos. Pelo contrário, fica por bastante mais, dada a agressividade com que a criança é agredida, ao sabor da técnica do nagging, que tão bons resultados tem dado. És jovem? Bebe o sumo tal. Queres engatar umas miúdas? Arranja uns sapatos daqueles.
Repare-se que a esta condição não escapam sequer os horários de programas supostamente educacionais e mesmo os realmente educacionais (quando se encontra algum). No Natal, então, é de fugir.
3.
Coisas de terroristas: a Internet veio possibilitar uma vez mais a transmissão de mensagens cifradas, com uma extremamente boa eficácia. Para além disso, as transmissões de propaganda são mais facilmente veiculadas e retransmitidas, é um facto.
No entanto, lembro-me que nos livros que li na minha juventude, as coisas vinham cifradas nos jornais. Também me lembro daquilo das mensagens subliminares em imagens com movimento. E lembro-me, sobretudo, do terrorismo de estado que a televisão e a rádio portuguesas abraçavam carinhosamente antes de 1974.
Não foi por isso, ainda assim, que a rádio e a televisão não deixaram de estar à frente dos acontecimentos na revolta e na consolidação da democracia. Tal como o está hoje a Internet, com a maior diferença de todas: é participativa.
Escrevi, a propósito que
«Não é estapafúrdio pensar que o terrorismo, como actividade sensacionalista, usufrua da globalização proporcionada pela Internet. Social Web, YouTube, a informação disponibilizada aos quatro cantos do mundo que se separam agora apenas pela distãncia de um botão de rato. O terror reinventado no satélite e na fibra óptica.
Não faltarão exemplos deste desenvolvimento, desde as imagens de atentados e execuções, às declarações de jovens prévias à sua última insanidade. Mas o que importa reter é que a prática, em si, do terrorismo, obedece agora à ditadura da sua divulgação. Parece não se justificar um acto que não possa transformar-se num conteúdo Web 2.0, que não possa ser distribuído gratuitamente por todos os monitores ligados ao mundo.
Um destes dias o terrorismo irá sofrer os efeitos nefastos desta globalização 2.0, por via da banalização da imagem e, aí, apenas os actos que figurarem no top de visualizações serão dignos de entrar na História. E esta é, agora, indelével das retinas e da cache que se apropria dela. Assim, o terrorismo ganha a forma competitiva que parece gerir o mundo da Web e prepara actos cada vez mais ousados, sangrentos, impactantes, sempre sob o prisma da divulgação mediática.
É um custo do progresso, dirão uns; é o mundo que está louco, dirão outros. Eu, cá por mim, digo que se calhar o que está a fazer falta é uma “limpeza global”. E, para essa limpeza, nada como uma semaninha sem energia eléctrica.»
4.
Das solidões, sociopatias e por aí fora, devo dizer apenas o seguinte: são pessoas. Tanto por aqui, como nos jornais, distinguem-se umas das outras. E, não fosse o assunto tão importante, e as televisões, jornais e rádios não autopsiariam tão escatologicamente as desgraças alheias e as misérias que por aí grassam, em “especiais”, em “reality shows”, em barbaridades diversas. O que dá é a devassa, que já aí vem de seguida.
5
Acerca da devassa: uma ocasião escrevi algo assim, num blogue que já nem memória tem:
«Sentou-se frente ao monitor e fez a procura. Foi parar ao site do costume, de onde recolhia as imaginações rituais da sua solidão escura. Os seus olhos reflectiram os corpos em movimento, ao ritmo da sua respiração. Clicou em “Teen” e escolheu um vídeo ao acaso.
Para sua máxima vergonha, quando lhe recolheram o corpo fulminado pela síncope, o vídeo rodava em loop no monitor com as imagens da sua filha captadas pelo telemóvel de um conhecimento ocasional, em delirantes fragmentos de bonecos desconcertados.»
A Internet veio, mais que qualquer outro sistema de comunicação, dar lugar à devassa da vida privada e à sua divulgação gratuita e imediata. Casos como este, romanceado, não serão difíceis de vir a lume. Infelizmente.
No entanto, isto são as pessoas no seu mais escuro interior, naquilo que apenas psiquiatras, padres e polícias são capazes de conhecer, sem no entanto serem capazes de descer lá bem ao fundo, sob pena de, conseguindo-o, ficarem ainda piores.
Entretanto, tudo isto vem de encontro a algo que a comunicação social tem de deturpador do que é, primeiramente, informação e, por outro lado, decência. A palavra é italiana e diz-se papparazzo. Porque, meus amigos, um papparazzo só não publica o que o jornal não deixar. E o jornal não publica somente o que o código deontológico não permitir.
6.
A calúnia: a calúnia vê-se por tudo quanto é sítio. Só que aqui circula mais rápida e chega a mais gente. Ponto final.
7.
Acerca do plágio, escrevi o seguinte:
«Podia vir para aqui dizer que existe uma cabala qualquer contra o Fractura e que até os sites pornográficos estão metidos na conjura para me dar cabo do ranking numa lamechice “ai… a mim ninguém me linka!”. Mas não digo. Não o digo porque o ranking não me interessa peva e tenho respeito suficiente pelos meus “milhões e milhões” de leitores assíduos para me preocupar com coisas dessas. Só consigo pensar numa coisa de cada vez e estou limitado a umas quantas por dia. Mas que não te ficava nada mal dizeres onde foste buscar esse artigo tão catita, lá isso não ficava. Eu, quando copio, escolho qualidade e faço-o com dignidade. Tu, ao copiares um artigo meu, nem fazes uma coisa nem a outra. Paciência, cada qual é para o que nasce. A infelicidade do assunto é que tu é que vais longe. Mas não sei para onde.»
Por fim, resta-me explicar o que penso acerca de tudo isto: da Internet e da Blogoesfera, com palavras ditas e reditas já por tantas vezes.
Escrevi em tempos algo assim:
«Esta coisa dos blogs…
Tento explicar que um blog não é uma vida virtual. Mas não tenho a certeza disso.
Na realidade, sou um gajo que gosta de falar com as pessoas de carne e osso, das que se podem apalpar e ouvir e, no entanto, é no blog que melhor oportunidade tenho de exprimir as minhas opiniões ou pensamentos avulsos sobre o que me der na real veneta. Existem muitos motivos para isso mas, o que mais justifica essa situação em mim, é o de não ser obrigado a discutir as coisas “ao vivo”, de ter tempo de estruturar a mensagem, de receber um feedback em diferido, também este estruturado na mensagem escrita. Ou seja, manter a discussão “limpinha” – apesar de algumas sujidades facilmente removíveis – e saudável. Que a coisa se entenda, portanto.
Estes são alguns dos motivos porque tenho alguma dúvida acerca da virtualidade da “vida bloguística”. Se, por um lado explico que o que digo é, realmente, o que penso e que não adopto outra identidade que não seja a minha, por outro começo a crer que é apenas aqui que o consigo fazer de forma (mais ou menos) objectiva e discutir de forma (mais ou menos) racional. Não é essa uma forma de vivência virtual?
Olho para as minhas estatísticas, modestas, muito modestas, e penso que, ainda assim, teria uma enorme dificuldade em arranjar semelhante número de pessoas que me escutem e que comentem interessadamente o que digo. É frustrante o facto de ser uma pessoa mais importante na Internet que na vida.»
A par disso, o Paulo Querido terá escrito uma vez que
«Para alguns, a blogosfera tornou-se um álcool sem regresso. A liberdade para disfarçar, para revestir o seu vazio exterior com uma personagem de template, turva-lhes o fraco raciocínio. Trocam definitivamente o mundo onde não conseguem ser pelo mundo onde ao menos lhes é permitido parecer.
E quem lhes pode levar a mal por isso?»
Mas o post em que condenso mais a minha impressão acerca disto tudo e que, creio eu, é precisamente o motivo para surgir um trabalho da índole do que apareceu na SIC, a páginas tantas reza assim:
«Embora os media representem, por si, uma ferramenta de manutenção da democracia, é certo que podem representar o seu oposto. Tudo depende de quem manda e da forma como manda. Assim, os media, embora reportando a actualidade e podendo nesta influir, são obrigados a manter a todo o custo a independência que lhes permita acompanhar o processo sem a mínima deturpação.
Embora consigamos imaginar que os media seriam o meio ideal para espelhar os rostos, as ideias, as preocupações de uma sociedade que está, neste momento, a viver a História, é sabido que nem sempre tal acontece. Compromissos da mais variada ordem impedem esse tipo de leitura. E depois, quem compraria um jornal para saber o que pensa o Senhor João ou a Dona Maria acerca do aumento do preço do repolho no mercado de S. João de Cascos-de-Rolha?
Comprar, não comprariam, pelo menos apenas por essa informação. Mas interessados em sabê-lo, talvez existissem alguns. A sabê-lo e a discuti-lo mesmo sem terem procurado a informação, apenas por a terem adquirido, talvez mais uns poucos.
A Internet veio alterar este estado de coisas. O acesso à informação tornou-se global, o mundo começou a entrar portas adentro. As páginas pessoais começaram a surgir e a interactividade iniciou-se. Formaram-se os fóruns e blogs começaram a aparecer. No meio de toda esta cacofonia, os governos, instituições e organizações empresariais ou não lucrativas começam a utilizar o meio. Por fim, os jornais. E no meio de tudo isto, a História como ela se regista nestes dias.
Assistimos a uma contribuição popular para os registos históricos sem par nos séculos que precederam o século XX. Qualquer pessoa, com acesso à Internet, pode colaborar com a sua opinião, as suas ideias, as suas teorias. Qualquer um pode publicar pensamentos, diários, o que lhe aprouver. As redes formam-se, as influências estabelecem-se. A sociedade toma forma na rede global de informação.
(…)
O problema da análise do que a blogosfera transmite é a dificuldade em encontrar um pensamento dominante, embora se possam encontrar pontos de confluência das correntes diversas, especialmente no que à questão social concerne. Uma História baseada nos registos deixados pela informação científica e sociológica à mistura com o que se passa na Internet é, neste momento, virtualmente impossível. O que se pode fazer, isso sim, é determinar tendências mas, mesmo isso, não é isento de riscos.
Mas é importante ter consciência de que a História já não é uma coutada dos poderes e dos acólitos do poder. A História feita pelos que a vivem dia a dia vai agora sendo registada, anarquicamente como o é a vida, por todos os que conseguem aceder a este espaço virtualmente infinito e por lá colocar uma palavra, uma imagem, um som que seja.
E isso não é pacífico.
Não é sem significado que vemos que a censura ataca em várias frentes, mesmo em países supostamente democráticos e com liberdade de expressão garantida. As recentes tomadas de posição de governos europeus que visam a regulação dos conteúdos da Internet e da blogosfera em particular, a par da proposta de regulação de conteúdos não jornalístico apresentada pela ERC em Portugal são disso exemplos próximos, não querendo falar do silenciamento de centenas de blogs pelo mundo fora, prisões de bloggers – assim como de jornalistas - , desaparecimento de alguns.
Este novo suporte veio possibilitar a publicação das ideias de cada um dos intervenientes na História e a sua forma de ver como ela está a ser construída, espécie de registos que não existiam até agora. Se a História, um destes dias, irá julgar o que se passa no Quénia, já não o fará simplesmente pelo que for veiculado pelos agentes dos governos ou pelos media tradicionais. Vai ter que contar obrigatoriamente com os escritos em blogs pelos que a viveram por dentro e que, a custo, deixam sair para o mundo, em tempo real, a tragédia porque todo um povo passa.
E isto é perigoso para os poderes instalados. São coisas destas que fazem os governantes pensar em limitações. A História já não poderá ser manipulada a seu bel-prazer, terá que ser confrontada com o que as pessoas, as pessoas vulgares, os milhões de pessoas que publicam 15 posts por segundo tinham a dizer acerca do assunto.
Mas insista-se nas perguntas que originam este post cada vez mais longo e que, de certa forma, deitam a perder quase tudo o que está escrito acima:
Qual é, afinal, a fiabilidade dos blogs como documento informativo ou histórico?
Que dizer da maledicência gratuita, da calúnia, do insulto, da falta de rigor?
Que autoridade pode ser conferida a pessoas que utilizam um meio, uma ferramenta, que lhes permite ter à vista de todos o que dizem pensar?
Que dizer do anonimato?
Diga-se que são fruto da democratização radical, da participação colectiva na revolução da informação em curso. Diga-se que é a bebedeira colectiva num festejo de liberdade como há muito não era visto. Diga-se que, como em todas as revoluções, há e haverá excessos – porque esta é uma revolução contínua, por cada blog que cesse, por cada um que apareça. Diga-se que é o espaço de todos os perigos, de todas as subversões e que por isso é que é uma tela de contradições. Diga-se que é o espaço de um povo global em convulsões de liberdade. Diga-se que é a partilha do conhecimento colectivo, a sinergia das partes de um todo, que é, afinal, o Homem actual – com todas as suas contradições, defeitos, problemas.
O problema não está no que se diz na blogosfera. O problema reside, isso sim, no facto de ainda nem toda a gente conseguir aceder-lhe. Está no facto de muitos serem silenciados. Que dizermos o que pensamos nunca seja um problema.
Por isso, os problemas da cacofonia existente em torno da política e da sociedade, o “diz-que-disse”, a reprodução de artigos só porque sim, as “leituras na diagonal” e os “pseudo-ensaios” como este são simplesmente o reflexo do tempo em que vivemos: confuso, polémico, na vertigem da informação global. São, no fim de contas, a possibilidade única de atingirmos um pensamento universal composto da miríade de visões diversas de um mundo que afinal é único e em que cada um de nós não passa de um copy-paste de outro qualquer.
É a Rede, a globalização democrática em contraponto a uma outra bem mais injusta, é o assumir de posições, nem que não sejam originalmente nossas, posições que podem vir do outro lado do mundo, de alguém que nunca vimos e que nunca iremos ver, de alguém de quem nunca ouvimos falar e de quem nunca mais falaremos. Mas, ainda assim, não seremos os únicos a fazê-lo acerca desse mesmo assunto. Haverão outros, também desconhecidos a fazê-lo. E assim nasce um interesse colectivo, bem diferente do clubístico, partidário ou bairrista.
E isto só pode ser perigoso para quem está habituado a decidir sozinho e aguarda que, um dia, a História lhe dê razão.»
Por fim, o meu comentário deixado ao Sérgio Rebelo, a dar algumas impressões acerca do trabalho da SIC:
«Por aquilo que ainda tive a pachorra de ver, trata-se, de um lado, de um trabalho feito para o sensacionalismo e, por outro, comentado por quem visivelmente não está à vontade com o assunto.
Claro que os blogues - a Internet, em geral - são fonte de problemas de devassa da vida alheia, de mensagens terroristas, de branqueamento, de dissonâncias, de problemas psicológicos.
Mas são-no apenas na forma de ampliação do que se verificava até agora com os restantes sistemas de media.
Ao que assistimos é exactamente ao mesmo que se assistiu aquando do advento da televisão, altura em que não faltou quem vaticinasse o fim da intelectualidade. Naturalmente, a intelectualidade não desapareceu e, maravilha das maravilhas, a democracia saiu reforçada.
Com a Internet e os blogues passa-se a mesmíssima coisa, com duas variáveis que prestam à equação contornos de autêntica revolução - período pelo qual a comunicação passa e que é, de resto, a verdadeira fonte de preocupação dos media tradicionais e dos sociólogos, pseudo-sociólogos e polícias na reforma -, variáveis essas de extrema importância: o acesso facilitado à divulgação e a interacção.
Claro que podemos por aqui falar de buzz e spin e coisas dessas; mas são todas fruto dessas variáveis.
Os poderes, por norma, sempre utilizaram as questões de segurança para irem a outro lado. E é isso uma vez mais que se passa.
Vamos começar pela higiene mental e social para podermos depois controlar o resto?
Enfim… O Drama, O Horror… como diria o Albarran.
De resto, ainda estou para ver se na blogoesfera nos unimos numa corrente de posts de análise ao conteúdo televisivo… havia de ser bonito!»
E, para que não restem dúvidas quanto à minha posição em relação ao anonimato, hão-de reparar que torno a usar a minha primeira assinatura na blogoesfera: “Senhor Anónimo Teixeira“.
E este foi o primeiro post de uma série deles que irei tentar fazer. Longo, demasiadamente longo, é paradoxalmente uma introdução ao tema. A ver vamos o que sai daqui, ou se sai alguma coisa… afinal, isto é um blogue. É livre. E, como digo lá em cima, «Não quero ter razão, basta-me a lucidez».
Não há posts relacionados (por agora)
a>E após ler com cuidado tudo o que está escrito, continuo a relevar a importância desta sua frase final:
De resto, ainda estou para ver se na blogoesfera nos unimos numa corrente de posts de análise ao conteúdo televisivo… havia de ser bonito!
Cumprimentos
Alice
a>Olá Alice, bem vinda!
Grato pelo comentário [após ler com muidado tudo o que está escrito... pôrra, nunca pensei possível...] e pelo apontamento no ALI_SE.
Quanto ao resto, supondo que a inteligência necessária à produção de bons conteúdos em blogues é compatível com o visionamento de televisão, porque não?
No meu caso, não só é compatível, como estranhamente indicado…
A ver vamos, haja tempo - sou blogger amador, em todos os sentidos do termo - e pode ser que saia alguma coisa…
Abraço,
CJT
a>Olá Teixeira!
Igualmente grata pelo que me é dado ler neste espaço.
E ainda nestes excertos:
«(…) Assistimos a uma contribuição popular para os registos históricos sem par nos séculos que precederam o século XX. Qualquer pessoa, com acesso à Internet, pode colaborar com a sua opinião, as suas ideias, as suas teorias. Qualquer um pode publicar pensamentos, diários, o que lhe aprouver. As redes formam-se, as influências estabelecem-se. A sociedade toma forma na rede global de informação.
(…)
A História já não poderá ser manipulada a seu bel-prazer, terá que ser confrontada com o que as pessoas, as pessoas vulgares, os milhões de pessoas que publicam 15 posts por segundo tinham a dizer acerca do assunto.
(…)
O problema não está no que se diz na blogosfera. O problema reside, isso sim, no facto de ainda nem toda a gente conseguir aceder-lhe. Está no facto de muitos serem silenciados. Que dizermos o que pensamos nunca seja um problema.
(…)
E assim nasce um interesse colectivo, bem diferente do clubístico, partidário ou bairrista.
E isto só pode ser perigoso para quem está habituado a decidir sozinho e aguarda que, um dia, a História lhe dê razão.»
Gostaria de salientar o quão importantes são para mim estas afirmações e porque vêm reforçar a ideia de algo muito positivo para as sociedades futuras e que todos nós, os da blogosfera estamos de certa forma um pouco mais atentos a todo este potencial.
Não podemos pois descuidar-nos com leviandades e distracções que nos têm alienado ao longo da História, com mentiras tornadas verdade, com religiões que temos de aceitar e em suas impositivas leis associadas aos estados e políticas.
E é já com toda esta globalidade e a sabermos com o que podemos contar a nível de espaço Terra e a de termos de por cá continuar e em nossas gerações futuras a termos assim de aprender a cuidar uns aos outros. E para isso teremos inevitavelmente de começar a alterar hábitos a todos os níveis e considero que talvez lá chegaremos…
Muito haveria mais para dizer, mas por cá continuamos a comunicar e fazer o melhor que sabemos não só para nós para todos os outros.
Um abraço
Alice
a>Sim… temos que tomar cuidado em dizer o que pensamos, sem entraves e, sobretudo, sermos nós próprios a fazer a nossa auto-regulação. Uma auto-regulação em liberdade, cujas leis não passem da selecção dos conteúdos e consequente resultado em “quota de mercado”.
Mas, sobretudo, manter a LIBERDADE e PLURALIDADE que é esta IMENSA CONVERSA de TODOS, por TODOS os que não se queiram remeter para uma posição de medo e ignorância e queiram nela PARTICIPAR INTERAGINDO.
Abraço,
grato uma vez mais.
CJT