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Comunicação Institucional #2 | O Papel da Organização na Sociedade Actual: Ética Empresarial, Filosofia Moral, Problemas Relacionados

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a partir de Daniel Scheinshon, [série: comunicação institucional]

Nos tempos actuais verificam-se algumas modificações no cenário em que as organizações actuam, cujos factores constituem importantes gatilhos para a crescente importância da comunicação organizacional, a par de uma redefinição do papel que estas crêem ter na sociedade
O público exige agora transparência e honestidade ao mundo organizacional, podendo ser considerado que as organizações se deparam com, pelo menos, três fontes de pressão:

  • Os desenvolvimentos tecnológicos que mudam rapidamente o contexto em que a organização actua;
  • A globalização da economia; e
  • A exigência à organização de comportamentos éticos pelos mais diferentes sectores da sociedade.

A sujeição das organizações a estas fontes de pressão pode ser representada graficamente:

A EXIGÊNCIA DE COMPORTAMENTOS ÉTICOS

Os teóricos das ciências empresariais não parecem, até à data, ter conseguido dar resposta aos complexos dilemas éticos com que os gestores se deparam diariamente.
Durante a década de 1970 surge a fulgurante disciplina de ética empresarial, cujos princípios contrariavam a teoria segundo a qual “a ética comporta benefícios”, declarando que a ética e os interesses podem estar em conflito.
Os académicos sustentavam que as motivações de um gestor podiam ser de origem altruísta ou de interesse próprio, mas nunca por ambas.
Actualmente nasce uma nova ética empresarial que reconhece e aceita a complexa teia de motivações interligadas.

Para além das centenas de cursos de ética empresarial leccionados em 90% dos cursos das escolas empresariais dos EUA e dos 16 centros de investigação que confirmam o prestígio desta cátedra, algumas investigações levadas a cabo no final do séc. XX revelam que mais de três quartos das grandes corporações dos Estados Unidos incluem esta temática no seu seio, sendo esta bem recebida pelos gestores que agradecem qualquer ajuda concreta que os auxilie a ultrapassar os principais desafios que enfrentam:

  • Identificar formas de actuação éticas que possam ser aplicadas em situações localizadas na “zona cinzenta” das condutas que não são nitidamente correctas ou incorrectas; e
  • Como se movimentarem nas situações em que, apesar de a forma de actuação ser correcta, as pressões competitivas externas e corporativas “desencaminham” muitos gestores bem intencionados.

Apesar disso, até há pouco tempo a disciplina da ética empresarial não dava resposta a essas duas áreas pois muitos dos teóricos falavam de uma moral afastada das preocupações reais das pessoas que têm a seu cargo a tomada de decisões. Felizmente, nos últimos anos tem vindo a verificar-se uma inversão nesse desfasamento com um número considerável de teóricos a debruçarem-se na investigação a partir das necessidades próprias da actividade de gestão.

FILOSOFIA MORAL E ÉTICA EMPRESARIAL

Os defensores da responsabilidade social afirmavam, desde as décadas de 1960 e 1970, que se a curto prazo a conduta ética pode provocar danos nos ganhos imediatos da organização, a longo prazo, o mercado acaba por premiar essa conduta, isto é, “a ética produz benefícios”.
No entanto, sempre existiu a dificuldade de explicar aos gestores porque deveriam ser éticos, a par da explicação acerca de que forma poderiam eles determinar uma forma de actuação ética e, ainda assim, manterem-se à frente ante as pressões da concorrência.
Com a intenção de responder a esta pergunta apareceu nos anos 70 a nova disciplina de “ética empresarial”, que introduzia a matéria de “filosofia moral” nas escolas empresariais, que supostamente traria conhecimentos teóricos e ferramentas úteis para que os gestores pudessem discernir a acção mais apropriada quando confrontados com uma dúvida de origem ética. Lamentavelmente, tal não ocorreu.
O problema residia no facto de ser a filosofia moral uma disciplina que atribui um elevado valor a tipos de experiências e actividades onde não exista um interesse próprio, pelo que os seus teóricos, uma vez mais longe de dar um passo na direcção dos problemas morais do mundo real, tornaram a andar às voltas em torno da pergunta fundamental: porque devem os gestores ser éticos?

Os teóricos da ética empresarial discordam do princípio segundo o qual “a ética produz benefícios” pois, segundo eles, a ética nem sempre coincidem com os interesses da organização, chegando mesmo a afirmar que quando “fazer bem” coincide com os interesses da organização, os actos motivados por esse interesse próprio não podem ser éticos.
Querem dizer com isto que, na realidade, a ética empresarial implica actuar nos negócios impulsionados por razões que não pertencem ao mundo dos negócios.

O PROBLEMA DESTAS LINHAS DE RACIOCÍNIO

O problema destas duas linhas de pensamento reside sobretudo no facto de ambas terem sido levadas ao extremo.
No caso do conflito entre a ética e os interesses, a dúvida dos gestores não reside na determinação da ocorrência desses conflitos. Os gestores querem saber como geri-los.
Infelizmente, os teóricos não têm oferecido um auxílio capaz em relação a esta dúvida.

Estes teóricos devem começar a pensar seriamente nos custos e benefícios que, por vezes, comporta o “fazer correctamente” e devem ajudar os que estão encarregados de avaliar situações difíceis, em que cada uma das alternativas de resolução representa um custo moral e um custo financeiro.
Da mesma forma, nas situações em que não existe conflito entre a ética e o interesse, devem ocupar-se do “paradoxo da motivação”, já que a etiologia das condutas da maioria das pessoas se trata de uma complexa mistura de interesse próprio, altruísmo e outras influências.

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