Nem Bom, Nem Mau. Uma Merda.
O país vive uma espécie de salazarice desde que o famigerado concurso deu protagonismo a um dos vultos mais tenebrosos da história recente do país. Desde aí que temos vindo a apanhar com uma espécie de saudosismo acabado de saír do armário que uns e outros vão partilhando em saudável e amena cavaqueira. Ele é entrevistas, ele é museu, ele é mil e uma pechinchas. Não contava, porém, vir a apanhar com a fronha do ditador em formato Warhol nas paragens do autocarro, qual Marilin travestida de Drácula post-mortem. Parece querer dizer “um Salazar para todas as cores”. O Correio da Manhã dá, assim, voz à história com uma colecção de volumes que se supõe tratarem a história do Estado Novo durante o regime de Salazar. E fá-lo da pior maneira.
A expressão “Nem bom, nem mau. Incontornável. - Colecção Os Anos de Salazar” remete os mais desconhecedores ou incautos bem como os mais jovens para a ideia de que os tais anos de Salazar foram tão simplesmente um produto do natural curso da História, liderados por um líder incontornável. Fica de fora, portanto, a explicação de porque é Salazar incontornável. E os que, como eu, aprenderam as várias vicissitudes da História recente do país por experiência própria, os que fizeram os planos para “antes e depois de vir do ultramar”, os que souberam do Tarrafal e do Aljube, sabem e têm a obrigação de fazer saber aos mais novos que as cores com que se pintam os Salazares de paragem de autocarro não existiam quando este estava no poder. Portugal era, então, um país a preto e branco.
E é mesmo necessário esclarecer, tendo em conta a caixa de comentários do Daniel.
Março 12th, 2008 at 8:15 pm
Pois é como tu dizes uma merda. Não percebo: nem bom nem mau… estamos portanto em cima do muro. É um bom lugar sim senhor… mas mesmo assim, dizer que não é mau, é uma ofensa para todos os que de uma forma ou outra sofreram durante o regime.
Mas enfim sempre existem os que nao gostam de pensar, de decidir, de lutar e preferem que alguém o faça por eles, que alguém que lhes comande a vida. assim dá mt menos trabalho.
Bijou
Pat
p.s- a cocas já gatinha e vai por esta hora na cozinha :)
Março 14th, 2008 at 6:52 pm
Olha… que a Cocas saiba, pelo menos, distinguir.
Vais ser tu a ter o trabalho…
Eu, com o meu, não parece ter corrido muito mal. Ninguém manda nele [nem eu] e, pelo menos, sabe que há coisas que não são para repetir.
A ver vamos, o futuro…
Quisses.