Futuros e Profecias
¬Article by CJT with 1 comment
9 Jan 2008
Lenina Huxley: The exchange of bodily fluids, do you know what that leads to?
John Spartan: Yeah, I do! Kids, smoking, a desire to raid the fridge.
…
Simon Phoenix: All right, gentlemen, let’s review. The year is 2032 - that’s two-zero-three-two, as in the 21st Century - and I am sorry to say the world has become a pussy-whipped, Brady Bunch version of itself, run by a bunch of robed sissies.
…
Edgar Friendly: You see, according to Cocteau’s plan I’m the enemy, ’cause I like to think; I like to read. I’m into freedom of speech and freedom of choice. I’m the kind of guy likes to sit in a greasy spoon and wonder - “Gee, should I have the T-bone steak or the jumbo rack of barbecued ribs with the side order of gravy fries?” I WANT high cholesterol. I wanna eat bacon and butter and BUCKETS of cheese, okay? I want to smoke a Cuban cigar the size of Cincinnati in the non-smoking section. I want to run through the streets naked with green Jell-o all over my body reading Playboy magazine. Why? Because I suddenly might feel the need to, okay, pal? I’ve SEEN the future. Do you know what it is? It’s a 47-year-old virgin sitting around in his beige pajamas, drinking a banana-broccoli shake, singing “I’m an Oscar Meyer Wiener”.
…
Lenina Huxley: I have, in fact, perused some newsreels in the Schwarzenegger Library, and the time that you took that car…
JohnSpartan: Hold it. The Schwarzenegger Library?
Lenina Huxley: Yes. The Schwarzenegger Presidential Library. Wasn’t he an actor when you…?
JohnSpartan: Stop! He was President?
Lenina Huxley: Yes! Even though he was not born in this country, his popularity at the time caused the 61st Amendment which states…
JohnSpartan: I don’t wanna know. President…
…
Existem obras de ficção que dos avisam do futuro e, como de futurologia se trata, este tipo de obras está, na maioria das vezes, ligada à ficção científica. Livros como “O Admirável Mundo Novo”, “1984”, “Fahrenheit 451” ou “Do Droids Dream with Electric Sheeps?”, a par de filmes como “Blade Runner”, “1984”, “Fahrenheit 451”, “Matrix“ ou “Gattaca” – livros e filmes escolhidos entre tantos outros possíveis - são referências de futuros que já não nos são tão estranhos assim.
Pensemos no que obras como estas anteviram. A clonagem e a eugenia, a robótica humanóide, o controlo da opinião e a vigilância, a manipulação da informação, os novos tipos de linguagem, entre tantas outras coisas. Recordo agora um livro ousado, “A Cidade da Carne”, obra que me tem inspirado tantas vezes nos meus arrojos de ficção, livro que preconiza a transformação dos homens em impulsos eléctricos na Rede e que, como recompensa pelo seu trabalho, recebem a oportunidade de “vestir” um fato de carne a sério e viverem férias de sonho: sexo, comida, prazer sexual, dor, etc., sem espartilhos morais pois, afinal, é de férias que se trata.
A leitura destas obras é frequentemente relegada para segundo plano. Aparentemente, não se considera que a ficção científica deva ser levada a sério, a não ser que transmita uma qualquer “mensagem escondida” em códigos herméticos. Não sou dessa opinião. Para a ficção científica ser válida como resposta ao marasmo intelectual, nem sequer necessita de ter bases sólidas no conhecimento científico. É mais como uma arte poética, em que se permite a hipérbole do imaginário, sem regras, a começar pelo tempo e pelo espaço.
Fazer-nos pensar acerca do que é, realmente, ser humano como em “Blade Runner” ou focar a eugenia e o perfeccionismo da raça colonizadora como em “Gattaca”, analisar os retrocessos na liberdade, na cultura e no pensamento paradoxalmente fundamentados pelas novas tecnologias da informação e comunicação como em “1984” ou “Fahrenheit 451” ou ainda alertar para o controlo de massas e criação de castas por meio da manipulação genética e do condicionamento humano como em “O Admirável Mundo Novo”, ou ainda do que é, realmente, a realidade como no “Matrix”, são atributos da ficção científica que leva o ser mais comum, o homem da rua, a reflectir acerca de alguns dos temas mais controversos exercitar alguma da filosofia habitualmente reservada aos académicos mais vanguardistas.
Não falamos aqui de coisas como “A Guerra das Estrelas” ou quejandos que, ainda assim, valem pelo futurismo técnico, fazendo uma espécie de antevisão da tecnologia futura. Falamos de algo mais.
E serve este longo intróito para apresentar um filme que considero, não futurista, mas profético. Profético pois as coisas verificam-se já, neste presente que é nosso e, surpresa das surpresas, é um filme de puro entretenimento, sem pretensões de vir a ser outra coisa e cujos actores principais são dos maiores canastrões que o cinema viu nascer desde o seu início: Silvester Stallone, Wesley Snipes e Sandra Bullock, entre muitos outros que por lá figuram.
Falo do filme “Demolition Man”, realizado em 1993 por Marco Brambilla e que recebeu o prémio ASCAP para o Top Box Office Films em 1994, e foi nomeado para os Saturn Award e MTV Movie Award no mesmo ano nas as categorias de Best Costumes, Best Science Fiction Film, Best Special Effects e Best Villain. Também foi nomeado para um Razzie Award na categoria de Worst Supporting Actress, não tendo conseguido o prémio.
Conforme poderão facilmente imaginar, é um filme onde abundam o pontapé e bolachada, tiros e explosões e por aí fora. Mas também é um filme que apresenta a sociedade perfeita criada simplesmente para manter uma população na ordem, uma Los Angeles imensamente feliz em 2032.
A sofrível trama anda em torno de dois personagens que, em 1996, são inimigos e que, após 70 anos de crio-penitenciária tornam a ser inimigos – mas essa é a trama que não vou relatar. O que me interessa no filme são algumas coisas que, disfarçadas de real interesse pelo povo, são outra coisa totalmente diferente.
Falamos de uma sociedade feliz, sem conflitos, respeitadora dos direitos humanos. Aparentemente. A reabilitação, até ao momento em que foi necessária, traduzia-se na criogénese durante umas dezenas de anos, período em que os reclusos iam sendo “reeducados” por meio de uma espécie de re-condicionamento. Mas no futuro de 2032 já não é necessária reclusão. Não há crime, os polícias têm um manual de instruções para casos “estranhos” que lhes diz como falar com o prevaricador. Não se fala mal. Diz-se “merda” e sai um talão de multa do aparelho mais próximo, debitada directamente na conta. São proibidas as gorduras na comida. Fazem mal. Os restaurantes de luxo são Hut, Pizza Hut, o único local aprovado como tendo comida saudável. Não é permitido o uso de sal. O sexo é virtual, a troca de fluidos é considerada abjecta. É proibido fumar.
Existem, no entanto, pessoas subterrâneas que se revoltam pois, não aceitando as regras higienistas, vivem exiladas nos túneis e esgotos por debaixo da cidade. Não têm comida porque não lha dão. Mas fazem hambúrgueres [de rato] e bebem cerveja. Falam alto e falam mal. Fumam. São vistos pela sociedade civilizada como párias, como sub humanos. E é por isso que o guru da cidade ressuscita o vilão interpretado por Wesley Snipes – para os eliminar, para acabar a revolta dos que querem viver livres da higiene. E porque a sociedade civilizada não é violenta, abomina a violência, a falta de saúde, a fealdade, a falta de educação, a comida gordurenta, o fumo. São limpos, limpinhos.
Mas não são livres. E não querem ver os outros livres.
Um grande filme, o Demolition Man.




There are 1 comment. Leave a comment!
¬ TABACO. LIBERDADE. FUTUROS. « DISSIDENTE - X
#43 January 10th, 2008 at
[...] Extractos do diálogo do filme retirados do fractura.net [...]