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O que nos diz Manuela Ferreira Leite, para além do óbvio?
Apostada em fazer uma ultrapassagem pela esquerda a José Sócrates, Manuela Ferreira Leite brinda-nos com uma declaração de intenções que não passa disso mesmo. A ouvidos mais desatentos, esta poderá parecer algo assumidamente estratégico, do género pose de estado, mas a realidade é que a líder do PSD não conseguir dizer nada que o cidadão comum não consiga dizer.
Claro que a mim, blogger em part-time e consumidor esporádico de política como o sou de telenovelas, só me ficará bem dizer que a classe média portuguesa está morta, que os dinheiros públicos devem ser utilizados para diminuir o frágil equilíbrio entre a riqueza e a pobreza, que os novos pobres, os que já nem cartão de crédito ou conta ordenado têm, são um flagelo a ser de imediato debelado. Tudo isto fica bem, fazendo de mim aquilo que faz de Manuela Ferreira Leite: um espectador atento.
Naturalmente, Manuela Ferreira Leite sabe explorar as fragilidades contextuais e aposta num discurso à esquerda, não se coibindo de apresentar uma espécie de ideia para soluções de estado de regulação económica, tão fora do âmbito do partido que a elegeu. No entanto, para além disso, nada mais foi dito. O como, onde, quando, tudo aquilo que o cidadão comum do metro e dos autocarros quer saber, ficou de fora. Mas uma coisa é certa: até parece ter surgido um partido novo, à esquerda de Sócrates.
Talvez seja por isso que José Sócrates, temente de ficar último representante da direita terceira via em Portugal e, por isso, desabrigado de temporais vindo das alas mais canhotas do partido - e, em última instância, dos eleitores da populaça - resolve dar uma mãozinha e tem a ideia de cobrar às gasolineiras o esforço público do aumento do combustível. Não diremos ser Sócrates um “Zé do Telhado”, mas a conotação com um “Robin Hood” parece assentar-lhe na perfeição.
E assim vai um país de autoestradas e TGV. Ultrapassagens pela esquerda num caso, alinhamento pela bitola no outro. E vá lá sabermos a quem prestar homenagem. A telenovela prossegue, entre congressos e workshops, completamente alheada da vida real.
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a>Devo protestar de forma veemente e indignada pelo facto de este blog estar a apoiar o ministro da agricultura e a suas políticas danosas e prejudiciais ao bem estar dos agricultores portugueses
Quanto ao artigo gostei da expressão Direita terceira via”. Realmente é apropriada…
a>DX: adonde? Deixa lá o homem, pá, que eu nem falei dele!
A direita terceira via está bem, não está? Agora que leio, também gostei!
Um rasgo de génio…
Abraço,
CJT