Verifica-se a dificuldade de as indústrias culturais determinarem actualmente aquilo que se designou por top. Muito do que origina essa tendência vem explicado em duas obras que se aconselham vivamente, de alguma forma clássicos já, o “The Long Tail” e o “Wikinomics”, que abordam a nova economia da Internet.
Tomando como exemplo a indústria musical, uma das mais populares e convenientemente tomada como exemplo por Chris Anderson na sua obra, o que se passa actualmente é a maior indefinição possível quanto ao que “está a dar” e, salvo alguns trabalhos publicados e com sucesso de vendas nos escaparates das discotecas, muito à custa do marketing via Internet (MySpace, por exemplo), a realidade é que a oferta atinge agora picos de largura e profundidade, numa abrangência nunca antes vista e que atinge todos os nichos possíveis. E eles são muitos.
Mas a principal diferença entre a antiga economia e a nova economia de abundância que a Internet oferece reside em algo muito mais abrangente e profundo: a comunicação.
A comunicação actual, com o seu poderio tecnológico dos motores de busca e plataformas de gestão de conteúdos abertas à utilização pública possibilita a troca de informação e opinião, a troca e partilha de ficheiros e a disseminação instantânea de qualquer tipo de texto que se decida publicar. Neste contexto, situação privilegiada é a da interacção entre os comunicantes, que assume um aspecto de especial importância na aquisição de opinião acerca de determinado produto ou assunto e, ainda mais importante, define as tendências que, porque em tempo real e constante mudança.
Durante décadas, a Nike entregou quase toda a sua produção a fábricas em mercados em vias de desenvolvimento, mas isso era feito por todas as outras grandes companhias. Porque era a Nike tão criticada?
A resposta era a sua marca. Na nova era do activismo de marcas, as antigas forças tornavam-se vulnerabilidades.
Hilariante.
A possibilidade de as marcas registarem os seus nomes como domínios de internet, em vez do habitual .com.
A dança das cadeiras acaba assim, com uma revista sem cargo de director, coisa obrigatória à vista da Lei da Imprensa.
Estaria Berlusconi, uma vez casado e não divorciado, puro de coração? Cá por mim, duvido.