O Paulo Querido publicou um post com o título acima. Escreveu simplesmente aquilo que muitos de nós pensamos de cada vez que olhamos para o monitor e, embora ele esclareça numa das respostas a comentários que o post não é dirigido a ninguém em particular, acaba confessando que se trata de uma reflexão acerca de duas ou três pessoas, neste contexto.
Aliás, creio que é nessa mesma resposta que ele sintetiza melhor tudo o que descreve no post: “A vida é assim mesmo, uns já trazem as features de origem, outros deixam-se kitar — e há por aí tanto toyota corolla original. Temos de saber viver com os extras à altura dos quais sejamos capazes de estar.”
O que creio que ele tenta explicar é tão simples como isto: OS ACTOS VALEM MAIS QUE AS PALAVRAS E É NA VIDA DO DIA A DIA QUE AS PESSOAS EXISTEM. E contra isso não há blogosfera que nos valha.
Cabe às pessoas que lêem blogs saber distinguir as pessoas dos personagens. Eu, por exemplo, não falo assim. Sou mais do género “puta que os pariu, vão todos para o caralho“, não chegando, evidentemente, à pesada carga intelectual que um Pacheco imprimiria ao texto, uma vez mais, não tanto pela intelectualidade mas mais pelo ícone em que se transformou. Porque somos todos personagens, uns mais do que outros, ícones alguns mais notórios. Porque escrevemos estes textos sem ninguém que nos interrompa numa conversa [porque conversamos uns com os outros neste meio, por este meio] - a corrupção de uma pragmática conversacional que permite a inexistência de um feedback tangível, ali, quente de corpóreo.
Mas, como diz o Paulo, não basta isso. Não basta parecer. As coisas acabam por transparecer, as letras tomam forma. Não, não é tanto a contradição ou a falta de coerência e congruência no discurso. É algo mais. É uma espécie de alma que, umas vezes permanece límpida, outras se deixa corromper. “Para alguns, a blogosfera tornou-se um alcool sem regresso. A liberdade para disfarçar, para revestir o seu vazio exterior com um personagem de template, turva-lhes o fraco raciocínio. Trocam definitivamente o mundo onde não conseguem ser pelo mundo onde ao menos lhes é permitido parecer.
E quem lhes pode levar a mal por isso?”
Não se poderia acabar melhor este post. Parafraseando a música: “You’re so vain, I bet you think this music’s about you, don’t you?“
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