Comunicação Alternativa

¬Article by CJT with 1 comment
18 Mar 2008

Comunicação Alternativa 

A China anfitriã dos Jogos Olímpicos está, uma vez mais, nas bocas do mundo pelos piores motivos. Mas repressão violenta ocorrida no Tibete não parece, por enquanto, provocar reacções à medida por parte dos governos ocidentais. Como de costume, a notícia passa em horário nobre e logo é esquecida entre a digestão e as telenovelas e jogos de futebol. Afinal, o espectáculo de algumas pessoas que vivem numa região lá para detrás dos montes, numa sociedade onde gente anda vestida com trajes esquisitos, fala de forma esquisita e tem costumes ainda mais esquisitos, é em muito inferior ao proporcionado por uma boa jogada de futebol ali mesmo à beira da baliza, ou de uma cena de sexo velado num episódio que, invariavelmente, trata de mulheres, crianças, traição e prova cabalmente que os homens, não só são todos iguais como são uma merda e que o artifício supremo cabe à inteligência maquiavélica das mulheres. Bíblica é a telenovela, portanto.

E, entre isto tudo, o que faz a comunicação social, responsável pela divulgação de factos e histórias relacionadas com este assunto, tão actual, o da violenta repressão no Tibete? Limita-se a passar imagens obtidas por quem lá estava, no momento, a fugir ou refugiado á janela de casa. Limita-se a passar informação obtida na Internet, nos blogues. Enquanto puder.

O Youtube já está proibido, juntamente com o Guardian e o Google News. Novas proibições virão, até que se esgote o fluxo de informação que cidadãos originam, no que se pode denominar de jornalismo-cidadão, no mais radical sentido do termo. Será a China capaz de cortar esse fluxo? Suponho que vá ter extrema dificuldade em conseguí-lo. Mas entretanto as coisas continuam a acontecer e não me parece que alguma agência noticiosa esteja capaz de cobrir este tipo de notícias.

A realidade tem vindo a ser mostrada sem edição. As câmaras de telemóvel não conseguem a resolução apropriada, os seus proprietários não sabem sequer o que é um enquadramento. Mas o esforço existe. A vontade de dar a conhecer o que se passa, o aproveitamento máximo da tecnologia, o dar a ver. Tudo isto importa, e muito, para uma séria reflexão, se não acerca da medida em que o mundo ocidental pode ou deve interferir nestas situações, pelo menos acerca papel e da capacidade da comunicação social no que refere ao tratamento destes assuntos. Tudo tem vindo a mudar desde Victoria Highschool.

Entretanto, vejam: vídeo proibido, vídeo oficial.

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