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Aborto, Mentiras e Vídeo

Aborto, Mentiras e Vídeo 

Agitam-se as massas do ressabiado “NÃO” de Fevereiro de 2007, primeiro relativamente às conclusões do relatório publicado em época do aniversário do “SIM”, depois face às notícias dos abortos clandestinos que continuam a verificar-se. Em ambos os casos, proclamam que afinal ainda se faz abortos clandestinos e que, por isso, a lei não é eficaz. Omitem a realidade dos números e, mais importante, a realidade social.

A verdade é que os abortos registados diminuiram face ao anterior à entrada em vigor da lei, sendo de esperar que os abortos estejam, na generalidade, a diminuir de número. Existe ainda o facto de os abortos existentes serem feitos de formas menos intrusivas na maioria dos casos, evitando desnecessários danos psicológicos nas mulheres que a esta solução acorrem. Uma outra verdade é que o aborto continuará a ser uma solução escolhida, seja por que motivo for, e que o aborto clandestino há-de ser sempre um factor a ter em conta.

Importa uma vez mais referir que a lei que aprovou a possibilidade de interromper a gravidez até às dez semanas se destina, principalmente, a evitar as soluções mais perigosas para as mulheres, conservando assim, na medida possível, a sua saúde e a sua dignidade de pessoa humana, com direito à plena posse do seu corpo e julgamento das possibilidades de maternidade. Assim, apenas se compreendem os disparates do “NÃO” à luz de uma óbvia estupidez que teima em aparecer, de quando em vez, para marcar posição de formas mais ou menos ridículas.

Não sou uma pessoa conhecida por ser paciente e, vai daí não tenho a pachorra da Liliana Fernandes para responder taco-a-taco aos comentadores que pelo Gosto e Contragosto aparecem e que pululam por essa blogosfera fora. Mas é conveniente ler o seu artigo, nem que seja para ficar a saber da ocorrência verificada em Torredeita, Viseu, onde uma jovem de 19 anos de idade praticou o seu terceiro aborto clandestino, com recurso ao Cytotec, recomendado pelas amigas. O mais grave deste caso é o facto de o director da escola que a rapariga frequentava estar a par do historial, que aproveitou o conhecimento público deste drama para dar uma conferência de imprensa.

De ignorância em ignorância, lá se vai fundamentando a sacrossanta beatice.

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2 Responses to “Aborto, Mentiras e Vídeo”

  1. 1
    Carlos Araújo Alves:

    Parabéns, caro Carlos José Teixeira! Excelente apresentação!
    Abraço

  2. 2
    Carlos José Teixeira:

    Faz-se o que se pode…

    Grato pela visita!

    CJT

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