ICAR | Berlusconi Não Comunga

A comunhão é uma instituição da ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana) baseada no mistério da transubstanciação, que alega a transformação da hóstia e do vinho no corpo e sangue de Cristo. Para um católico poder aceder a este ritual, deve primeiramente passar pelo confessionário que, paradoxalmente, se destina apenas aos “puros de coração”. Ora, se puros, para quê a confissão; se não puros, porquê vedar-lhes, esse será, decerto, mais um mistério da ICAR.
Aparentemente os católicos divorciados - e, já agora, todos os outros - não têm um coração puro, já que o casamento católico é indissolúvel pelo homem e vigora até à morte de um dos cônjuges, podendo apenas ser anulado perante especificidades complexas e apenas pelo Papa.
Vem isto a propósito do apontamento do Max para a notícia acerca do Berlusconi e do impedimento à comunhão a que foi sujeito. O acontecimento revela, de uma assentada, as múltiplas hipocrisias em que ambas as instituições incorrem.
Se, por um lado, a comunhão é para os puros de coração e não divorciados, por que motivo terá o Mayor Giulianni comungado? Berlusconi, por sua vez, resolveu demonstrar que se submete a um poder eterno, a algo maior, como se cumprisse um plano divino mas não pudesse usufruir das vantagens, tal herói despojado. Bonito, sim senhor.
Por fim, voltando à pureza de coração, estaria Berlusconi, uma vez casado e não divorciado, puro de coração? Cá por mim, duvido.
