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Blogosfera | Afinal, Os Blogues

adenda: estive agora a ler o post… desculpem os erros e a frase incompleta. foi escrito “de uma assentada” num cada vez mais raro momento de inspiração… ou whatever.

Tenho andado a ler as impressões em torno do IV Encontro de Blogues da UCP, e a impressão com que fico é a de que existe realmente vontade para que a blogosfera continue activa mas, sobretudo, um esforço dessa vontade no sentido de nos convencermos a nós próprios de que, em vez de uma cristalização, o que aconteceu foi uma mudança.

Os que leram o desabafo publicado abaixo, Blá-Blog, terão de imediato reconhecido uma qualquer influência directa do artigo do Paul Boutin, influência que, de resto, não existe. O que existe é, isso sim, uma confirmação do que já pensavaalgum tempo, apesar de conseguir conservar algum optimismo. Mas diria, em Fevereiro de 2007, ainda no “proto-fractura”:

«Entendi algumas coisas, outras ficaram pelo caminho. Pelo caminho ficou também aquela inocência maravilhada com um novo mundo. É por isso que surge agora a fractura. Não que seja algo de novo, vou apenas juntar mais um blog a muitos que apareceram e desapareceram, incluir mais um espaço entre os milhões de espaços que diariamente surgem e morrem na blogosfera. É uma fractura, uma quebra, uma falha a exigir reparação.»

Graças ao Rogério Santos, tivemos acesso a um resumo das intervenções que, porque resumo, me deixa ficar a imaginar, antes de mais, o que perdi.  Juntando estes resumos ao que por aí se diz, conseguimos um lote de reflexões que sugerem discussão, assim haja blogosfera que a faça. Comecemos pelo resumo e pelas intervenções que considerei mais significativas.

EARLY ADOPTERS

A Maria João falou da questão dos early adopters. Segundo ela, estes primeiros utilizadores terão tido, em tempos, a utopia da comunicação, da partilha. Mas acham-se agora membros de um clube aparte chegando mesmo, em alguns casos, a considerar os membros seguintes da comunidade como membros de uma outra categoria, os que não estão no “core” do blogging, que não o entendem como eles consideram ser.

O SPEAKERS’ CORNER

Lauro António parece-me um dos idealistas do blogging, pelo menos a fiar-me no curto resumo que visionei. Foi gratificante escutá-lo pois as suas palavras representam muito do que penso, que a blogosfera é, em si, um speakers’ corner e que, como este, passou de um local onde fazer declarações públicas em liberdade para, em muitos casos, uma feira de vaidades e, porque não, charlatanice. A ideia do speakers’ corner vem de trás e lembro por aqui o que diziam a Catarina Santos e o José Manuel Fonseca em Agosto de 2006, na revista Psicologia Actual, edição nº 6:

«A blogosfera substituiu o speakers corner de Hyde Park, a porta e as paredes da casa de banho, aquele monte no qual, e a coberto da noite, nas aldeias, se berrava em plenos pulmões os segredos de vícios privados que eram do conhecimento de todos.

Nesse sentido é um contexto verdadeiramente terapêutico com a vantagem de não provocar intoxicação química, nem excessivos gastos em psiquiatras e psicólogos.

É o maior espelho de Narciso conhecido.»

Talvez o que Lauro António nos diz acerca do bem e do mal do anonimato e da responsabilidade, da liberdade e da cultura blogger venha a confirmar o que por aqui era dito na altura.

A COLABORAÇÃO

Quem falou do assunto já cá tinha aparecido a dizer isso mesmo. Foi o Mário Pires que nos deixa a sua apresentação em post descritivo do encontro e por lá disponibiliza a apresentação que aqui deixo (sorry… no embed), pois falará muito melhor por mim do que eu próprio.

Na sua intervenção, o Mário Pires foca-se na necessidade de colaborações que poderão revelar-se uma forma de criação de qualidade. Chama-nos a atenção para a preguiça criativa. Mas chama-nos a atenção para algo mais importante: o carácter egocentrista da maior parte dos membros de algo que insistem chamar-se blogosfera. Ou não.

O FIM DA BLOGOSFERA

Esta pareceu-me ser a “catch phrase” do encontro, já que, de uma forma ou de outra, quase toda a gente me pareceu empenhada em provar o contrário. Naturalmente, as coisas terão começado em imensos sítios, mas foi o Paulo Querido quem iniciou as hostilidades, comprovando assim algo que ele próprio refere na sua intervenção: tinha que ser um A-list a provocar o buzz. E provocou, com um post (onde refere o meu B-list, entre outros, numa atitude infelizmente cada vez mais rara), e num artigo publicado no Expresso. Publica agora outro post com a apresentação feita no Encontro, outra que vos deixo (peço desculpa, de momento não consigo o “embed”) pelo mesmo motivo que deixei a do Mário Pires, o de falar por mim.

Se virem o resumo disponibilizado nos Indústrias Culturais, poderão ficar a saber, desde logo, alguns pontos de vista interessantes acerca desta visão das coisas. Na realidade, o Paulo foca a realidade da blogosfera, não só lusa, como talvez mundial. Uma sucessão de quintas e condados que se ligam entre si, deixam a maioria de fora e mantêm desta forma o seu espectro de influência. Fala-nos da diferença existente entre os A-list e os B-list e não se incomoda em declarar que existe realmente uma evolução trágica que tem vindo a favorecer a forma em detrimento do conteúdo.

Um outro aspecto importante que o Paulo Querido foca é a aparente necessidade da blogosfera em “ultrapassar” os media mainstream. A minha opinião pessoal é que, a acontecer, não será uma ultrapassagem. Será, isso sim, uma passagem. Como ele refere, existe uma nova forma de ligação muito em voga nos A-list: para além de se ligarem uns aos outros, ligam sobretudo aso órgãos de comunicação social mainstream. Isto, claro, com o intuito de obtenção de visibilidade e consequente manutenção de visitas. Para além disso, pessoalmente acho que é também uma forma de tentar “pertencer ao clube”, ao tal clube com quem, aparentemente, competiam.

E QUE DIGO EU?

Pois bem, começo por notar uma coisinha aparentemente sem importância mas, dado a detalhes como sou, não só consigo escrever posts extremamente chatos e longos, como consigo reparar em coisas destas: a escolha do nome do evento. Creio que chamar a um evento “Encontro de Blogues”, em vez de “Encontro de Bloggers”, é sintomático da importância que o blogue, em vez do indivíduo que o escreve, tem na chamada blogosfera.

Mas são pessoas quem escreve nos blogues, quem publica letras, imagens e sons. E as suas motivações diferem de uns para os outros. Existe, porém, uma coisa comum e básica em todos eles, a necessidade de comunicar.

E é de comunicação que se fala, não de informação. Essa parte da blogosfera que tende a informar simplesmente é precisamente a que se “põe a jeito” para ocupar o lugar reservado aos órgãos informativos. As definições mais conhecidas de blogue dizem-nos que este se resume a uma colecção de entradas por ordem cronológica, com recurso a plataformas colocadas na Internet e que utilizam recursos diversos, como o texto ecsrito, o vídeo e o som, para além do hipertexto. São, por assim dizer, uma espécie de diário.

Esta definição está prestes a alterar-se e conceitos como “jornalismo cidadão” ou “informação alternativa” vêm dar o mote a toda uma nova utilização da Internet e, particulamente, dos blogues. Blogues de jornalistas, de comentadores, de corporações são agora absolutamente normais. E indispensáveis à consulta diária de artigos e opiniões de experts nas mais diversas matérias.

Desta forma, uma actividade que se caracterizou pela utilização das massas, de tudo para todos, passou a ser uma espécie de mercado onde os nichos ditam as tendências para o mainstream.

A realidade mostra-se crua para qualquer B-list que tente adoptar uma posição, publicar uma opinião e que tente obter feedback ou simples leituras, não sendo esta aprovada pelos “pares”, de preferência A-list. Assim, está montado o círculo de influência que marca territórios, opiniões, enfim, está montada uma espécie de “agenda setting” na blogosfera. E ai do que a contrarie.

A BLOGOSFERA

É por isso que concordo com a ideia de que, mais do que assistirmos ao fim dos blogues, assistimos ao fim da blogosfera.

As condições que cito acima potenciam uma espécie de seguidismo - em alguns casos quase fanático - que contraria, mais do que o que idealizo para a blogosfera, aquilo que observei no seu início. Quase não há B-list que não lute por um “lugar ao sol” na barra lateral dos “gurus”, quase não há um deles que não acorra à caixa de comentários para dizer algo, uma coisinha que seja, que o faça ser efemeramente notado.

Desta forma, acabamos por ver a produção de ideias e a partilha de informação limitada ao que Fulano disse e Cicrano comentou, sem a opinião sincera de Beltrano que, publicando e republicando, assume um papel passivo de hiperligador e perpetuador da moda, não acrescentado ao que foi dito, sem saber sequer que tem, mais que o direito de contrariar, o de mudar de opinião. E que o blogue que mantém é dele.

Mas desenganem-se os que pensam que a A-list ou a B-list existem apenas baseadas nos números e índices dos motores de busca. Há uma miríade de redes e círculos de influência que, instalada que está, faz com que muitos B-list passem a A-list no seu círculo de influências mais limitado. E a perversão continua, de forma piramidal, do topo para baixo.

Isto não é nada que não se observe na sociedade em geral. De certa forma, retirada a possibilidade do anonimato ou da assunção de vidas puramente virtuais que em alguns casos chegam a chocar frontal e violentamente com a vida real, a blogosfera reflecte a sociedade física e palpável em que nos movemos, com todas as suas complexidades.

O facto é que A blogosfera já não existe. Existem uma quantas redes, existem uns milhões de bloggers, mas a independência, a produção de ideias, a defesa da liberdade, tomaram agora formas que se estabelecem em microcosmos de opiniões, de copy-pastes, de seguidores. Muito ao sabor da ditadura dos números.

O BLOGUE OPTIMIZADO

Não tenho nada contra a optimização dos motores de busca. Eu próprio utilizo algumas ferramentas SEO, isto se quero que alguém leia o que escrevo. E, se escrevo num blogue, é para ser lido pelo maior número de pessoas possível.

Mas o que observo é a tendência para, mais que acompanhar os novos hábitos de “leitura na diagonal” dos consumidores da Internet, procura-se a melhor forma de obtenção de visitas, nem que para tal nos abstenhamos da publicação de um conteúdo que queríamos de uma forma, adoptando a forma exigida pelas técnicas SEO. Existe, portanto, uma nova preocupação com a forma, antes do conteúdo.

Ora, eu considero isto uma autêntica perversão do que é o blogging. Passa a, em vez de produzir ideias e conteúdos, a produzir visitas. Este post, por exemplo, bem aproveitadinho daria para uns dias sem cá aparecer e, bem montado, originaria um determinado número de visitas, tanto vindas da leitura de RSS, como do Santo Google. E, supondo que alguém leria de facto o que escrevi, seria um sucesso. O problema está no facto de, mesmo que ninguém o lesse, ser um sucesso á mesma, segundo os ditames do Santo Google.

E à medida que esta estratégia fosse sendo consolidada, o fractura.net subiria na lenta escala do reconhecimento, seria um A-list com muitas visitas, reproduções, comentários, opiniões, ligações… à custa de nada parecido com conteúdo válido. Porque isso é possível.

Eu sou do tipo de blogger que aposta no conteúdo, venha ele de onde vier, seja ele publicado de que forma for. E se todos fossem assim, a riqueza seria decerto muito maior.

REDE SOCIAL

Dizem as regras que um blogue não sobrevive sem uma comunidade que o abrace. E não existe nada mais verdadeiro. O leitor tem um blogue que ninguém lê? Das duas uma: ou arranja forma de este ser lido, ou simplesmente apaga-o. Eu já fiz isso muitas vezes, mesmo muitas.

Mas a configuração de rede social mudou muito desde os IRC, os fora, os próprios blogues, os “blog rings”, etc. Um blogger tem que lidar agora com uma série de ferramentas como o Twitter, o Facebook, o Linkedin, etc. E, de cada vez que escreve um post, é obrigado a pensar que já não está a escrever apenas para uma plataforma, mas para múltiplas plataformas que vão já muito além do simples Feed RSS lido num agregador ou recebido no e-mail.

A rede social actual é, ainda, um aglomerado anárquico de “estou a…” de milhões de vozes. E, salvo algumas oportunidades reais de acompanhamento de situações complexas, parece-ma passar ainda a confusão porque passaram os fora em tempos idos.

Mas a coisa avoluma-se e o tempo, ele próprio, já não é o que era. Passa mais rapidamente e as actualizações são permanentes. Exigem demais para quem, como eu, é apenas amador do blogging - em todos os sentidos do termo - e a sobrevivência do blogue é posta em causa pela ausência de aparições nestes centros de mensagens.

Como o blogging e os fora, haverá de crsitalizar. E os problemas hão-de surgir. É normal. No fim de contas, como disse o José Orihuela, talvez se trate, afinal de evolução. Talvez, como refere, os novos media adaptem os conteúdos dos antigos sem, no entanto, os fazer desaparecer.

A COLABORAÇÃO

Para mim, não existe nada mais gratificante que a experiência colaborativa nos blogues. Estou completamente de acordo com o Mário Pires quando este aborda o tema como sendo de primordial importância.

No panorama actual, é quase impossível pensar nisso. É uma questão de egos. E, salvo raras e excelentes excepções, os blogues reflectem a vontade de um brilho pessoal do seu autor. Nada mais legítimo. Mas verifica-se, no entanto, que entre cisões e reuniões, alguns dos blogues mais representativos da nossa praça estão já a abraçar a modalidade, acrescentando, sem sombra de dúvida, uma mais valia à sua produção de conteúdos e, em algunsa casos, um salutar e necessário confronto de ideias, chegando mesmo ao desaguisado, entre autores do mesmo blogue.

E existe alguma coisa mais bonita do que isso?

Reparem: a minha entrada na TubarãoEsquilo foi mais ou menos o juntar o útil ao agradável - subir as audiências e, simultaneamente, figurar num painel. Quis considerar o site algo do género aproximado a um blogue colaborativo. E é o que se vê: embora exista da parte do Paulo e de mais um ou dois colaboradores, a realidade é que quase todos nós acabamos por nos marimbar para a TE que existe ainda, mas sem o fulgor inicial. Quantos de nós, nos nossos blogues, falamos regularmente dela?

Dá trabalho.

Como referi, tenho alguma experiência em blogues colaborativos. Sempre que sou convidado para um, aceito. E sempre que aceito, acabo por sair passado algum tempo. Porquê? Porque as pessoas que se iniciam nesse tipo de actividade incorrem em vários erros: acham que devemos concordar todos uns com os outros, não admitem ausências, como se um blogue tivesse cartão de ponto, e acabam por reparar que o blogue colaborativo começa, não raras vezes, a ter mais sucesso que o seu blogue. A estupidez é que, em vez de aproveitarem as sinergias, enchem-se de um orgulho parvo, e vão embora dar ao dedo para o seu “castelo”.

O FUTURO

Pertence-nos. O fractura.net! irá continuar. Em “modo banho-maria”, ao sabor das possibilidades. Quanto à blogosfera, como é actualmente, creio que está para mudar. Para onde, não sei.

O que sei é que cabe a nós, bloggers, essa espécie ainda estranha aos olhos de tanta gente, decidirmos o que queremos fazer de tudo isto e optar entre transformarmos a blogosfera numa simples câmara de ego ou numa ferramenta de partilha e aferição dos diversos estados culturais por que a Humanidade vai passando. Devemos decidir de o blogue do Zé não presta mesmo ou se apenas o ignoramos ou ainda se lhe “damos uma mão”. Devemos decidir se queremos deixar uma assinatura repetida a Xerox pelos milhares de sites, ou se queremos potenciar a discussão e o confronto de ideias.

Eu, cá por mim, estou numa situação confortável. Quase de certeza que ninguém leu este post até ao fim.

“Na verdade, e para mim, quando entro num blog, o que me entusiasma, o que me toca, o que mexe comigo, é ainda o poder da palavra. O domínio da palavra. A sabedoria da escrita. Textos que me fazem pensar. Ou rir. Me comovem. Me inquietam. Me arrasam. Me revoltam. Me tiram do sério. Me deixam a planar. Contra os quais estou. A favor dos quais me apetece assinar por baixo. Que odeio. Que amo. Que me lembram a ingenuidade. Que me acordam. Que me adormecem. Que me fazem uma festinha. Que eu beijo. Que me beijam. Que irritam. Que sim. Ou que nada. Mas é ainda o poder da palavra.
Especialmente – e voltando a uma polémica antiga… –, quando essa palavra não tem espaço nem tempo nos jornais, na rádio, na televisão. No futuro será diferente, estou certo disso – mas por enquanto é ainda a palavra. A palavra.”

Pedro Rolo Duarte

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Desabafos | Blá-Blog

Don Quijote by Honoré Daumier (1868)

Image via Wikipedia

Posso dizer que a maioria das vezes que venho a este blogue para debitar uns quantos caracteres, o faço sem saber ainda o que direi.
A coisa funciona mais ou menos assim: leio os jornais, leio os blogues, adopto e adapto influências e alguma coisa há-de sair. Uma ou outra vez, lá consigo deixar por aqui um texto original, uma opinião que se preze ou um desabafo que me denuncie.
Mas a realidade é que o clipping cada vez tem um lugar maior neste blogue.
É certo que, apesar de o fazer, faço-o com alguma dignidade. Refiro as fontes, lanço hiperligações, faço as vénias devidas aos autores – concorde ou discorde com o que por lá se publica. No entanto, cada vez se torna mais difícil dar um toque pessoal ao que publico. Por vezes, deixo apenas o link, ali pendurado, como quem cumpriu o dever.

Se há coisas que detesto é mandar postas sem mais nem porquê, apenas para manter o blogue. Este, o fractura, tem durado. Os que me conhecem melhor sabem perfeitamente que, noutro tempo, nem uns três mesitos teria de vida. Logo deixaria de o ser, para passar a ser outro, ou outros, que também acontece.
Mas tem durado, muito devido à minha recente mania de – uma vez por outra – ir verificar as tendências no Analytics, coisa breve mas que me diz que, em grande parte, este espaço serve a algumas pessoas. Não sou muito dado a SEO’s e coisas assim. Talvez seja um erro.
Houve uns dias em que tive, é certo, uma nesga de ideia em transformar este blogue em “coisa séria”. Cheguei a pensar que poderia, enfim, poder levá-lo a algo maior. Mas depressa me deixei dessas coisas.

Leio agora, com mais tempo, o artigo de Paul Boutin, na Wired, que me diz que isto dos blogues está ultrapassado, que o Twitter, o Flickr, o Facebook, fazem os blogues “ser tão 2004”. E tem razão, lido o artigo.
Não concordo com tudo o que o Boutin diz, mas subscrevo algumas coisas.
Contrariamente ao que lançou a blogosfera nesses anos idos, os blogues do topo, os que ditam a memória, são todos, ou quase, profissionais. Parece já não haver espaço para os blogues pessoais, que ficam entregues a clientela suspeita e ao insulto na caixa de comentários.

A motivação para um blogue é diversa, consoante o escriba e o desenvolvimento do blogue. Muitas das vezes a coisa começa de uma forma e acaba noutra. Como aqui.
Se forem dar uma volta aos primeiros artigos (uma salgalhada que fui buscar a diversos blogues que mantive, enfim, destroços em desorganização completa), hão-de reparar que a escrita, o teor desta, o conteúdo e a forma eram substancialmente diferentes do que são hoje. Mas isso não me importa. Como já disse, o blogue funciona como uma espécie de cronologia do conhecimento e, no meu caso, quando o leio, até acho piada.
Verto, subverto, mudo de opinião, e não devo nada a ninguém.

Então, o que se passa? Porque chego agora a este ponto e nem sequer sei acerca do que hei-de escrever? Porque tenho tanta informação guardada “para mais logo” – o artigo do Boutin é exemplo disso - e a preguiça vence?
A resposta é simples: tenho andado por onde não devo.
Mas a coisa complica-se quando penso por onde, afinal, devo ir. E a realidade é que não sei.
Quase apetece colocar um anúncio que diga “Nicho, Precisa-se.” Porque é de nichos que se fala.

Quando entrei para a rede Tubarão Esquilo, a convite do Paulo Querido, mantinha um proto-blogue chamado ISCAP-com que deu origem a mais não sei quantos, antes de se tornar no extinto “Comunicação Empresarial”. A par desse, entrou o fractura, como meu blogue pessoal. Tinha, por isso, um “blogue de nicho” – sem dúvida o de maior sucesso que mantive até hoje – e um blogue para as minhas “más disposições”.
Como costume, em todos os blogues que mantive até hoje, estes ficaram abertos a colaborações, viessem de quem viessem.
É que eu sou daqueles gajos que ainda usam termos como “partilha” e “divulgação”, um idealista “muito 2004”, portanto. Mas não resultou.
Seguidamente, ainda mais um projecto colaborativo, o “Cadernos de Comunicação Estratégica”, a contar com uma série de pessoas que amavelmente cederam ao convite. Mas a coisa ficou por aí.
A bem dizer, embora não por todos os motivos que Paul Boutin aponta, sou a modos que um desiludido da blogosfera.

Mas eu explico porquê.
Primeiramente, devo considerar-me puramente amador. Aos que já me perguntaram se trabalhava aqui ou ali, se trabalhava para este ou para aquele, posso dizer que este blogue é apenas um hobbie e nada mais. A minha profissão nada tem a ver com o que por aqui anda, a não ser que me falem de autocarros – e, mesmo assim, nem de todos.
Vai daí, olho para isto dessa tal forma idealista mas, tudo o que consigo ver é uma chusma de egos cada vez mais inchados, maiores que a blogosfera toda junta, com o Pacheco Pereira incluído. O que vejo é muita gente mais preocupada com as palavras-chave para o Google do que com o conteúdo do artigo que vão publicar. Vejo é muita gente preocupada em fazer o “link que interessa”, o comentário ao artigo do “guru”, a andar na roda viva das influências que, a alguns há-de arranjar que fazer, a outros há-de simplesmente insuflar ainda mais o ego.
E, no entanto, Boutin – e outros – explicam que tudo é passageiro.

Se eu seguisse conselhos, estaria a escrever um post com as 140 letras mágicas no título, preocupar-me-ia com as tags e categorias, iria ver como anda o Google Trends e ocupar-me-ia de um sem número de meta-qualquer-coisa no template. Para vos ser sincero, tenho por aqui algo chamado “All In One SEO” (creio) e nem sei muito bem o que fazer com isso.
Depois, passaria mais tempo a tentar compreender o que vale a pena escrever para ganhar audiência, popularidade, enfim, os louros de um blogger.
Mas tempo é coisa de que não disponho. Talvez um dia, em que não trabalhe. Mas talvez nesse dia tenha algo mais a fazer ou, se tudo correr bem e eu tiver trabalho até à reforma – e se esta existir ainda – já não existam blogues.

Tudo isto para vos explicar que não sei muito bem se existe ainda motivo para pagar um domínio e um alojamento. Para ser sincero, não sei muito bem se existe motivo para manter um blogue, seja ele de que forma for.
É que um blogue exige actualização, assunto, conteúdo. E isso anda raro para os meus lados. Ironia das ironias, este blogue tem conseguido falhar a todos os acontecimentos relevantes, salvo uma ou outra excepção, em post de lavra descuidada e apressada.
Enfim, tenho que equacionar tudo isto.

Mas fiquem-se com esta: mais uma viagem, o resto da semana fora. Uma vez mais, blogue suspenso até à semana que vem. Comentários, com tempo, ainda os irei moderando e publicando. As respostas as estes virão com tempo.
E a resposta a mim próprio e ao fractura também.

Até lá.

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Exaltações | Carta a Fulano

Caro Fulano,
Peço-te desculpa por só agora te responder. Esta demora prende-se com o facto de, contrariamente ao que pensas, eu ter muito mais que fazer senão publicar posts e responder a comentários e e-mails. Embora te possa parecer de difícil compreensão, existe gente que trabalha e que necessita desse trabalho para pagar a comida e, eventualmente, a conta do domínio e da hospedagem do seu sítio na Internet.

Icon of saint Maximus the Confessor

Image via Wikipedia

Pois então falas-me de egos e auto-satisfação, de auto-promoção e de exercício de influências, de vidas virtuais e de virtualidades da vida, de plágios e de “panelinhas” – e pareces falar do alto do púlpito, com a cavernosa voz da moral oca e obscura, pretensa defensora de uma liberdade que não sabes, não compreendes e nem sequer te esforças por compreender, tu que te limitas a ler a voz dos outros e que, como um cú avariado, nem emites traques, nem opinião.

Deixa-me explicar-te devagar.
Eu sou um blogger amador. E entende amador da forma que quiseres: inexperiente, incompetente, o que ama. Qualquer uma se encaixa na perfeição pois que, juntando tudo isso aos restantes adjectivos que possas acrescentar, decerto surgirá um resultado muito próximo da humanidade que me rege a existência, ao contrário da tua que me parece extra-orbital, próxima dos mitos construtores de um mundo de mortais, condição à qual estou certo escapares, baseado que estou no teu tão profundo e-mail.

É por isso que se torna nada mais que natural a presença do meu ego, que tanto te preocupa, nos escritos e divulgações que vou fazendo neste espaço. Nada mais natural, sabendo que assino com o meu nome, que a figurinha que aparece por aí nas caixas de comentários é mesmo a minha e que os textos originais, divulgações ou reproduções reflectem a minha forma de ser, de estar e de pensar.
Transparência é a palavra que resolvo enfim utilizar como forma de explicação para esta condição, coisa a que não me pareces estar lá muito habituado.
Posto isto, e considerado que está notares tu de sobremaneira a imposição do meu ego no blogue que é meu, considero estar explicada a auto-satisfação que não desminto e que, antes pelo contrário, louvo em mim. É esta, afinal, a grande responsável pela continuidade deste blogue, apesar das modestas audiências. Esta e a outra, a mais importante pois, se de números este blogue é modesto, já o mesmo não se pode julgar da qualidade dos leitores, condição essencial para esta existência. Toma como sincero conselho este que te deixo: vai ver quem te visita, de onde vem e porquê. Tenta determinar se cumpres os teus objectivos e os dos teus leitores, sem atraiçoares quem és ou o que pensas. Depois diz-me alguma coisa, se souberes.

A minha auto-promoção é naturalmente feita. Eu convivo com pessoas todo o dia, na minha actividade profissional e escolar e na minha vida privada, que ainda consigo alguma. Não existo fora desta, esta carta que te escrevo contém exactamente as mesmas coisas que te diria pessoalmente, salvaguardada que fica a escolha semântica mais atabalhoada na prova oral.
Não existe, contudo, qualquer desejo de me tornar o que não sou.
Poderás objectar que, por aqui, ninguém me conhece, ninguém sabe de nada da minha vida. É verdade. Este espaço serve essencialmente para registar as coisas que me chamam a atenção num determinado momento e, com sorte, a minha opinião acerca delas.
Arriscaria dizer que já o mesmo não se passa contigo, que revelas uma necessidade qualquer de mostrar, a cada passo, que sabes. E sabes. Muito. Seria bom para ti reconheceres que não sabes muito mais.
Mas eu compreendo essa tua necessidade, que me parece vir da insegurança própria de quem não sabe enfrentar a incapacidade de não ter descoberto ainda o caminho, enfim, o que quer ser quando for grande. Não te preocupes, isso passa. Com o tempo, hás-de chegar à conclusão de que nunca o hás-de saber, guardada fique a tua sanidade e que te permita ela saberes enfrentar essa condição fátua do presente, a única verdade aparentemente objectiva que conhecemos.
Digo-te ainda que as influências que referes estar eu a tentar exercer não são mais que um produto da tua imaginação – ou da tua necessidade de me agradares, uma vez que considero essa tua visão imerecidamente elogiosa. O meu poder, talvez infelizmente, não chega a tanto.

Quanto à tal vida virtual e às virtualidades desta vida, creio ter-te já explicado algo, logo a partir do momento em que te digo que trabalho, estudo e tenho uma família que considero, no entremeio de tudo isto, estar a ser negligenciada. São os custos de resolver, antes de conversar com a minha mulher e o meu filho, estar a responder a e-mails fracos de significância e que, ainda assim, merecem a minha consideração.
Poderás não estar habituado a tal, uma vez que dás tanto valor a alguém que pareces considerar apenas um personagem do Second Life, mas eu existo e a minha vida não é esta. Mas também é.

Quando falas de plágio, referes-te exactamente a quê? Gostaria que me respondesses a esta questão directamente na caixa de comentários deste blogue, com o teu nome lá escrito. A conversa seria decerto bastante mais produtiva.
Eu considero o plágio algo abominável. Trata-se, na sua forma mais simplista, de roubar um filho a outrem.
Eu transcrevo, transcrevo muito. Não sendo um génio, socorro-me do génio de outros, uma característica que a Internet em geral e a blogosfera em particular potenciam, e ainda bem. A conversa é, assim, imensa, e a divulgação e partilha são exponenciais, muito ao meu gosto idealista relativo à utilização deste meio.
Mas hás-de reparar que cada uma das minhas transcrições tem os créditos atribuídos.
Uma forma muito simples de veres de onde estas coisas vêm é leres os posts partilhados no Google Reader, que sei que recebes. E eu recebo os teus.
Reparo, no entanto, que muitas vezes escreves coisas que eu li em outro local qualquer e, por coincidência, muito semelhantes. Terás tu descoberto esses artigos maravilha que te fazem parecer um iluminado? Ou basear-te-ás no que lês e não partilhas, surripiando a ideia, a autoria, o parto de outrem?
São escolhas, e eu nunca tas apontei. Talvez nunca o faça.
Relativamente às “panelinhas”, hás-de reparar que nem sequer política de links eu tenho. O teu blogue está ali na barra lateral; o meu, sei que não consta na tua. Mas não é isso que me interessa.
Também reparo que tens algumas pessoas que aconselham, a cada passo, a leitura dos teus (?) artigos. Hás-de ver que muito pouca gente aconselha os meus. Mas também não é isso que importa.
Falas-me de estar “vendido” a uma rede de influências, a tal “panelinha”… elogias-me uma vez mais. A única rede a que pertenço é à Tubarão Esquilo e, mesmo assim, repararás com facilidade que não tenho obrigação de espécie alguma para com essa rede, comercial, ideológico, editorial, seja de que natureza for.
E de ti? Poderei dizer o mesmo? Por agora posso, porque a insignificância do que escreves, ao contrário do que pensas, em vez de ser influente, apenas auxilia os outros a exercerem a deles. Aos da tua “panelinha”, bem entendido fica.

Finalizo dizendo-te o seguinte: o resto da conversa só terá a continuidade assegurada em sede própria. Porque da minha actividade na blogosfera se trata, a única pergunta que resta fazer é «na tua casa ou na minha?». Por favor não me envies mais e-mails, o teu endereço está na lista de spam.
Dito isto, aconselho-te um chazinho com mel, coisa que te acalmará os nervos e aclarará a voz.

Com estima virtual,
CJT

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Blogosfera | Bomba de Fragmentação - Dardos a Voar em Todas as Direcções

… ou quase todas.

Sinceramente, não sou lá muito dado a coisas de “prémios” blogosféricos. Este tipo de prémios, para além de ser na sua maioria apenas uma forma de garantir mais meia dúzia de links, é grande parte das vezes algo que pouco ou nada tem a ver com os “premiados”. E isso verifica-se uma vez mais com o “Prémio Dardos”.

Dizem-nos o seguinte acerca deste prémio, o que confirma as minhas suspeitas:
«Se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web», ao que se acrescenta a obrigatoriedade de colar a figurinha e escolher outros quinze blogues a premiar.

Este blogue foi premiado por dois outros, em simultâneo.
E são esses dois outros, mais que o enunciado que caracteriza o prémio, que fazem com que aceite a nomeação: para mim é uma honra enorme ser nomeado pelo Carlos Araújo Alves e pela Alice Valente, dois bloggers que o meu posto de observação monitoriza há já muito tempo e que, juntamente com mais alguns, reflectem aquilo que eu considero ser a “arte” do blogging.

No entanto, a tarefa de seleccionar quinze blogues para a nomeação é ingrata. É que muitos dos meus blogues preferidos não transmitem (voluntariamente) valores culturais, éticos, literários e nem sequer pessoais. Alguns nem sequer criatividade têm.
Assim, escolher alguns entre tantos outros, preferidos ou não, que reflictam o propósito do prémio é uma tarefa desgraçada, sendo este o momento mais apropriado para amaldiçoar os autores do ALI_SE e do Ideias Soltas.

Por isso, cá vão alguns, não sei se cinco, quinze ou quantos, que “me caem no goto” e que, de alguma forma, considero reflectirem o enunciado do tal “prémio”, considerando desde já incluídos por natureza os meus dois amáveis proponentes. A ordem, claro, é completamente alienatória: More »

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Pobreza | Um Mal Humano

Hoje é o dia programado para um artigo relacionado com a pobreza, promovido pelo Blog Action Day e, contra todas as minhas expectativas, e após ter analisado um monte de literatura acerca do assunto, nada me resta. Nem ideias, nem sequer um vislumbre do que acerca deste assunto possa ser escrito.

A pobreza é um mal humano, de uma exclusividade catastrófica. O nosso cérebro hi-tech, o mesmo que me permite estar aqui a escrever estas linhas que espalho mundo fora num passe de mágica, é o que permite também que milhões de crianças não vão ler nunca, nem este, nem outro artigo qualquer, nem na Internet, nem num livro.

Este estado de coisas, apenas humano, permite-se a ele próprio, como se de algo intrínseco ao nosso ser fosse. E são as notícias, dadas estrategicamente à hora do TV dinner, essas imagens de lancinante dor, repetidas até á exaustão, que nos fazem tremer, num frio repentino, enquanto olhamos o garfo pendente. São uns segundos, até que cheguem as últimas de apitos dourados ou de desaires da selecção.

A pobreza e a guerra, alimentam-se delas próprias. São íntimas canibais que não hesitam em esquartejar um qualquer povo que, mais fraco que o poder instalado que nos governa os destinos, é dizimado. E são os olhos desorbitados, as barrigas inchadas, as moscas que não largam, o miúdo que jaz, ali, no meio do estrume que a civilização lhe deixa a emoldurar o corpo franzino e já cadáver.

Gostava de poder dizer-vos que tenho as grandes opções para acabar com a pobreza. Mas não as tenho. Não chego lá. Falta-me a força para sequer pensar no assunto, de tão atarefado que estou a jogar os meus números das vendas, as minhas análises de mercado, os meus propectos a tratar, a minha diferenciação enquanto agente válido e único nesta engrenagem pessoana feita de pequeníssimas rodas dentadas num jogo viciado que não chega ao fim. E fico-me a olhar as imagens do telejornal.

Por isso, limito-me a fazer artigos sem utilidade alguma, a não ser a participação puramente passiva num fenómeno que parece remoto, mas que afinal vive mesmo em frente à minha casa.

E faço hiperligações: Blog Action Day, Uncultured Project, Causes of Poverty, Hans Rosling Talk, Girl Effect, WorldBanks’ Poverty Net, End poverty by 2015, End Poverty Blog, Stand Up Against Poverty, Our Day to End Poverty, Results, Global Call to Action, World Food Programme, Oxfam international, Spotlight On Poverty, Moving Up USA, Making Poverty History, ficando a saber que daqui a dois dias nova oportunidade surge.

Procuro sinais lusos e encontro: Levanta-te e Actua, Just you, Just Me, Pobreza Zero 2015, Observatório de Imprensa, Galicia Solidaria, Passageiro em Trânsito, Blogo Social Português, Blog3, Sub-Solo, Usuário Compulsivo, entre tantos outros que hão-de, também eles, mandar mais algumas linhas para a praça.

Penso então que talvez tudo isto faça sentido, se alguém nos escutar.

Porque a virtualidade cansa e vicia. Faz-nos pensar, por vezes, que esta moralidade de detrás do monitor é algo activo. Mas não é. Faz-se o que se sabe, por vezes o que se pode, mas a maioria das vezes faz-se o que se gosta.

Alimenta-se mais o ego que uma barriga esfomeada.

E ficamos assim. Continuarei eu a mover-me entre gráficos e números, continuará o mundo a mover-se na sofreguidão assassina, nesta globalização que, de salvadora, se vai tornando, passo a passo, numa arma massiva de destruição. A mesma globalização que me permite estar aqui, agora, a debitar palavras sem sentido algum e de utilidade menos que nula.

Daqui a dois dias pode ser que saia algo melhor.

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