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Posts tagged direitos humanos

Infância | Relatório da APAV

Photograph shows half-length portrait of two g...

Image via Wikipedia

Já reparou alguma vez que aquela menina africana vai todos os dias às compras para “os padrinhos” precisamente à hora em que devia estar na escola?

E no dia em que resolveu ir às putas, alguma vez reparou que aquela miúda lhe faz lembrar a Jodie Foster do Taxi Driver?

E, num e noutro caso, fez alguma coisa?

Chegou-me via FuckItAll a notícia na Sol. Curta e grossa, talvez insuficientemente apelativa. O sensacionalismo está reservado para outras coisas.

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Pobreza | Um Mal Humano

Hoje é o dia programado para um artigo relacionado com a pobreza, promovido pelo Blog Action Day e, contra todas as minhas expectativas, e após ter analisado um monte de literatura acerca do assunto, nada me resta. Nem ideias, nem sequer um vislumbre do que acerca deste assunto possa ser escrito.

A pobreza é um mal humano, de uma exclusividade catastrófica. O nosso cérebro hi-tech, o mesmo que me permite estar aqui a escrever estas linhas que espalho mundo fora num passe de mágica, é o que permite também que milhões de crianças não vão ler nunca, nem este, nem outro artigo qualquer, nem na Internet, nem num livro.

Este estado de coisas, apenas humano, permite-se a ele próprio, como se de algo intrínseco ao nosso ser fosse. E são as notícias, dadas estrategicamente à hora do TV dinner, essas imagens de lancinante dor, repetidas até á exaustão, que nos fazem tremer, num frio repentino, enquanto olhamos o garfo pendente. São uns segundos, até que cheguem as últimas de apitos dourados ou de desaires da selecção.

A pobreza e a guerra, alimentam-se delas próprias. São íntimas canibais que não hesitam em esquartejar um qualquer povo que, mais fraco que o poder instalado que nos governa os destinos, é dizimado. E são os olhos desorbitados, as barrigas inchadas, as moscas que não largam, o miúdo que jaz, ali, no meio do estrume que a civilização lhe deixa a emoldurar o corpo franzino e já cadáver.

Gostava de poder dizer-vos que tenho as grandes opções para acabar com a pobreza. Mas não as tenho. Não chego lá. Falta-me a força para sequer pensar no assunto, de tão atarefado que estou a jogar os meus números das vendas, as minhas análises de mercado, os meus propectos a tratar, a minha diferenciação enquanto agente válido e único nesta engrenagem pessoana feita de pequeníssimas rodas dentadas num jogo viciado que não chega ao fim. E fico-me a olhar as imagens do telejornal.

Por isso, limito-me a fazer artigos sem utilidade alguma, a não ser a participação puramente passiva num fenómeno que parece remoto, mas que afinal vive mesmo em frente à minha casa.

E faço hiperligações: Blog Action Day, Uncultured Project, Causes of Poverty, Hans Rosling Talk, Girl Effect, WorldBanks’ Poverty Net, End poverty by 2015, End Poverty Blog, Stand Up Against Poverty, Our Day to End Poverty, Results, Global Call to Action, World Food Programme, Oxfam international, Spotlight On Poverty, Moving Up USA, Making Poverty History, ficando a saber que daqui a dois dias nova oportunidade surge.

Procuro sinais lusos e encontro: Levanta-te e Actua, Just you, Just Me, Pobreza Zero 2015, Observatório de Imprensa, Galicia Solidaria, Passageiro em Trânsito, Blogo Social Português, Blog3, Sub-Solo, Usuário Compulsivo, entre tantos outros que hão-de, também eles, mandar mais algumas linhas para a praça.

Penso então que talvez tudo isto faça sentido, se alguém nos escutar.

Porque a virtualidade cansa e vicia. Faz-nos pensar, por vezes, que esta moralidade de detrás do monitor é algo activo. Mas não é. Faz-se o que se sabe, por vezes o que se pode, mas a maioria das vezes faz-se o que se gosta.

Alimenta-se mais o ego que uma barriga esfomeada.

E ficamos assim. Continuarei eu a mover-me entre gráficos e números, continuará o mundo a mover-se na sofreguidão assassina, nesta globalização que, de salvadora, se vai tornando, passo a passo, numa arma massiva de destruição. A mesma globalização que me permite estar aqui, agora, a debitar palavras sem sentido algum e de utilidade menos que nula.

Daqui a dois dias pode ser que saia algo melhor.

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Direitos | Do Casamento Homossexual

A minha opinião acerca do assunto é extremamente simples e baseia-se na presunção de que cada um de nós tem todo o direito de procurar a sua felicidade.

Assim, esta matéria é uma falsa questão, se vista por uma lente minimanente racional, que nem deveria ser necessária. Eu, pelo menos, vejo-a a olho nú.

Qualquer um de nós que seja ou tenha sido casado pelo simples interesse em partilhar a sua vida com o outro, isto é, de uma forma saudável, terá, pelo menos a dado momento, “juntado os trapinhos” com o parceiro que livremente escolheu ou por quem foi escolhido - que raramente as coisas acontecem sem a atitude mais activa de um deles - e com ele vive ou viveu durante o tempo achado conveniente.

Esta situação de casado configura-se para mais além do que a simples convivência. Trata-se de assumir direitos e deveres, créditos e responsabilidades, para com o outro, para consigo próprio e, quer queiramos que não, para com a sociedade já que, desde logo, o casamento é institucional à luz da lei.

Não considero que o casamento de alguém, na sua forma normal, livre e voluntária, colida minimamente com a liberdade de outrém ou com os requisitos sociais. Não compreendo, por isso, qual a forma de se justificar a falta de direitos fundamentais de cônjuge - assistência social, visitas a hospitalizados, herança, etc. - aos homossexuais que decidam casar-se.

É simplesmente inadmissível que tal aconteça e representa, só por si, o alheamento total à condição básica de ser humano de cidadãos como eu ou qualquer um de nós.

Esta situação só pode ser admissível à luz míope das convenções retrógadas de conservadorismos anacrónicos, ou do halo obscuro da sensibilidade religiosa que, na sua quase generalidade, parou no tempo e apenas trata de, dogma após dogma, reacção após reacção, conservar a fidelidade dos que sem olhar para qualquer lado a não ser o do hálito divino se limitam a uma existência comandada por agentes do obscurantismo.

O Estado de Direito que é Portugal está ainda no limbo das obrigações para com os eleitorados colocadas à frente da coragem necessária para o combate frontal às assimetrias sociais e violações dos direitos humanos.

Se, por um lado, temos um partido cujo representante máximo afirma que o casamento se destina à procriação, como diz Manuela Ferreira Leite na sua douta sapiência da condição humana, outro há cuja opinião rebenta numa bolha em forma de “nim”, contrariando o propósito das suas próprias hostes mais progressistas - porque o são, na actualidade -, declarando o assunto como “fora de agenda”.

Compreendendo, como compreendo, a posição de Manuela Ferreira Leite, dado o seu espírito visível diariamente, já se torna difícil compreender a posição de José Sócrates, dito de um partido socialista progressista e moderno. Qual será, então, a diferença entre a direita e a esquerda (supostamente existentes e diferentes) em relação a causas que são, por si, um produto apenas e somente político?

Vendo bem, qual a discussão em torno da matéria? De um lado a obrigatoriedade da procriação - coitados dos que, casados, não procriam -, do outro, a agenda política.

A minha questão é simples: será isto um assunto a discutir em pleno século XXI?

Será que um dia havemos de discutir a possibilidade de casamento de professores, empregados domésticos, enfermeiros… e políticos?

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Justiça | Também Eu Esfrego os Olhinhos!

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