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Posts tagged educação

Educação | A Nova Forma de Repressão

ou os Paradoxos da Política Educativa

por Elsa Cerqueira*

Problema de Monty Hall

Paradoxo número um

O Estatuto da Carreira Docente (ECD) dicotomizou os professores em duas categorias: titulares e não titulares. Sob esta nomenclatura opera uma falsa hierarquização: serão os não titulares menos preparados, do ponto de vista científico-pedagógico, do que os titulares?
No Decreto-Lei 200/2007, que regulamentou o primeiro concurso de acesso à categoria de professor titular, pode ler-se “a criação da categoria de professor titular tem como objectivo dotar as escolas de um corpo docente altamente qualificado, com mais experiência e formação (…)”.
Como compatibilizar a “experiência” profissional do professor com o facto de, para efeitos do referido concurso, terem sido apenas validados os últimos sete anos de experiência profissional? Por um lado, a idade surge como fonte de experiência e de formação; por outro, a história profissional que antecede o período mencionado foi reduzida a zero.

Paradoxo número dois

O novo modelo de Avaliação de Desempenho Docente (ADD), não obstante a sua simplificação apressada, é medíocre.
Em primeiro lugar, dado o número excessivo de instrumentos de registo, a saber: grelha de avaliação do desempenho pelo Presidente do Conselho Executivo/Director; grelha de avaliação efectuada pelo Coordenador do Departamento; grelha de avaliação efectuada pelo professor Avaliador.
Do seu cariz excessivamente burocrático, infere-se a sua falta de exequibilidade.
Segundo, porque estes instrumentos de registo denotam falta de rigor, porquanto como é possível que numa turma de 25-30 alunos e durante uma aula de 90 minutos, um professor avaliador classifique o professor avaliado, por exemplo no parâmetro da “promoção de trabalho autónomo” ou no da “concessão de iguais oportunidades de participação” dos alunos?! A partir de que número é considerada a igualdade de oportunidades e a participação aceitável?
O número de alunos por turma é variável e eles possuem traços de personalidade heterógeneos: uns são tímidos, outros mais extrovertidos, etc.
Instrumentos de registo pouco rigorosos poderão avaliar com rigor?
A desmesura burocrática é proporcional à ineficácia.

Paradoxo número três

A Srª Ministra alega que muitas escolas já procederam à implementação do modelo de ADD. Não são muitas, são muito poucas. E nessas, houve falhas na rede de comunicação (vertical) que mobiliza. Caso contrário, como tornar intelígivel que algumas escolas tivessem avançado com a avaliação dos professores e a maioria não? Que no seio da mesma escola uns departamentos avancem e outros não?
Sim, as directrizes do ministério são incumpridas em muitas escolas do País.
Onde estarão colocados os 120 000 professores, presentes na manifestação do passado dia 8 em Lisboa? Em poucas, pouquíssimas escolas?!
Não é admissível o argumento segundo o qual estes professores foram manipulados por organismos sindicais, partidos da oposição, etc.
Sei pensar autonomamente e estive presente na referida manifestação!
Por outro lado, inverter o argumento dizendo que constituímos agentes de manipulação e de chantagem é, como política, não compreender um dos mais importantes pilares da Democracia: o direito à contestação. Neste caso, a uma política educativa lúcida e autêntica.
É curioso constatar que a obsessão pela quantificação sirva os propósitos do Ministério da Educação nalguns casos como, por exemplo, para avaliar a percentagem de aprovação dos alunos, do 9º ano, nos exames nacionais, para discriminar escolas mediante um ranking cujas variáveis são díspares (não têm todas os mesmos exames, os mesmos níveis, o mesmo número de alunos inscritos) e seja irrelevante quando se trata de uma manifestação que envolve 120 000 professores!

Paradoxo número quatro

Eu e outros colegas fomos obrigados, em Outubro, a elaborar as taxas de sucesso e de abandono para o presente ano lectivo!
Aqui a política dos números é, novamente, valorizada.
Pergunto: Poderei pronunciar-me do ponto de vista psico-cognitivo sobre alunos que desconheço? Sobre quantos abandonarão a escola? Poderei prever e controlar as variáveis inerentes ao processo de ensino-aprendizagem antes deste ocorrer?
Os alunos não são meros produtos, resultados e, como tal, não podem ser coisificados, enformados, deformados, enclausurados em taxas e taxinhas pré-fixadas!
Não me revejo na política do facilitismo, do “laissez faire, laissez passer”. Pugno, como professora-educadora, pela qualidade dos conteúdos, dos materiais e recursos utilizados, pelas pedagogias viabilizadas nas minhas aulas.
Não fiquei indiferente ao facto dos alunos do 9º ano – e sei bem do que falo porque o meu filho frequentou-o no ano transacto –, terem ficado muito mais “inteligentes” no exame nacional da disciplina de matemática. Não poderei esquecer que o elemento decisivo, que se repercutiu nestes resultados, foi o baixo nível de competências exigidas para a resolução dos problemas propostos.
O facilitismo é inversamente proporcional à qualidade do ensino-aprendizagem.

Paradoxo número cinco

E que dizer das quotas para as classificações agregadas a este modelo de ADD?
Sei o que valho como docente, sei o nível de conhecimentos que possuo na minha área. Terei que me submeter a este regime de classificações, também elas pré-anunciadas? Quem manipula quem?
Imaginem que possuo uma turma com dois alunos excelentes e que lhes digo: “x terá a classificação final de 19 valores e y não”. O que sentiriam eles? E os seus encarregados de educação?
Defraudados.
Este sistema de quotas é um mecanismo de distorção da avaliação. E um modelo de ADD que não admite rigor e se furta à autenticidade dos resultados servirá para avaliar? Terá alguma fecundidade?

Paradoxo final

Sou a favor da A.D.D. Estou é contra este modelo. Se pudesse classificar este e o anterior modelo diria, apenas, que o Relatório de Reflexão Crítica de Desempenho era uma farsa, sobretudo devido à inoperância dos órgãos a quem competia tornar credível todo esse processo de avaliação e este, que se pretende implementar, uma farsa hiperbolizada.
Sou professora/educadora e a minha primacial tarefa é ensinar/educar com qualidade, desenvolvendo nos alunos o gosto pelo Saber, pelo Fazer e pelo Ser. Serem Pessoas dotadas, no futuro, de competências indispensáveis ao exercício de uma cidadania esclarecida, activa e interventiva. O legado de um professor é re-actualizado ao longo de cada minuto das suas existências.
Os meus alunos estão e estarão sempre em primeiro lugar.
Eis uma Política Educativa repleta de paradoxos, implementando o absurdo. Há, todavia, um sentido oculto no des-sentido: o autismo político instituiu-se como forma de repressão e a renúncia ao princípio da discutibilidade a morte da Democracia.
Paradoxo mortal.

*Elsa Cerqueira,
Professora de Filosofia

Nota: Sugiro que todos os que queiram enveredar pela carreira política, bem como todos os profissionais da política, leiam a obra “Górgias” de Platão e se submetam a um exame teórico-prático. Talvez percebessem porque é que a retórica que praticam não passa de “um simulacro de uma parte da política” e se consciencializassem do quão impreparados estão para o exercício da (actividade) política.

***

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Repressão | Polícia Carrega em C+S de Alfragide

Está por confirmar pois a notícia do Público, que me chega pelo Carlos Araújo Alves, é vaga. Fico sem saber se a Polícia terá carregado ou não sobre as crianças que se manifestavam frente à escola C+S de Alfragide, carga que terá supostamente mandado uma delas, com 10 anos de idade, para o hospital.

Também não ajuda em nada a resposta da fonte policial contactada pela Lusa, que em relação à acusação terá dito apenas que «Terá de perguntar às crianças. Aqui não se resolve nada. Elas é que começaram tudo isto.»

Entretanto, a notícia faz eco no JN, enquanto o Portugal Diário publica notícia mais contida.

Aguardo confirmação da realidade dos acontecimentos que, a terem-se verificado tal como se conta, constituirão, não só a maior descredibilização das instituições - ministeriais, educativas e policiais -, como a barbárie completa.

«Elas é que começaram tudo isto.» Frase que fica na cabeça, prenúncio sabe-se lá de quê.

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Trabalho | Gostas de Trabalhar Sem Pagamento?

  • És finalista ou recém-licenciado em Comunicação Social?
  • Estás à procura do teu primeiro emprego?
  • Interessas-te por animais de estimação, preferencialmente cães?
  • Já tiveste animais de estimação?
  • Estás interessado em vir a fazer parte de uma equipa redactorial?
  • Não te importas de trabalhar de borla durante um ano?

(Sim, António, está na hora de acabar com esta vergonha.)

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Comunicação | www.Comunicamos.Org

: fractura.net! » Comunicação | www.Comunicamos.Org

O Comunicamos abriu em novo endereço, www.comunicamos.org. Este projecto está a ser gerido pelo João Simão em colaboração com o Alexandre Gamela, factores que, por si, atestam qualidade.

Como novidade principal, temos a de o site estar agora aberto a colaborações externas e não limitado aos alunos do curso de Comunicação da UTAD. 

Convém verificar as ligações para aceder a algumas ferramentas e projectos que representam, em si, uma mais valia para o site e para os visitantes, como a CCPédia.

Apenas uma nota negativa: não creio que o excelente template The Morning After seja o mais adequado à função, especialmente se repetido em todas as páginas. Uma sugestão: porque não fazer uma agregação de conteúdos das actualizações das restantes páginas? Com um RSS poupava-me muito trabalho…

PARABÉNS, felicidades.

ADENDA: ok, Alex, está registado: a culpa do Comunicamos é do João Simão, tu andas a lá a meter o bedelho nas colaborações. E fazes muito bem. 

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Educação | Pulseira Electrónica 2 ou «Ponham-lhes uma Trela»

Seguindo a sugestão da shyznogud, fica aqui um excerto de um post por ela publicado há algum tempo, em que se descobre, como diz, que 75% dos pais ingleses comprariam uma pulseira electrónica para os filhos, à laia de acrescento ao post anterior. Mas vale a pena ler o texto por completo, especialmente para saber o que pensam os filhos acerca do assunto e o que dizem os psicólogos.

A privacidade, e mesmo a protecção dos dados destes jovens, é importante. Mas, para os peritos em desenvolvimento juvenil, o preço a pagar será ainda mais elevado. «A questão é que a vigilância vai diminuir alguns dos comportamentos de risco em que os miúdos incorrem, mas com custos. Quando vigiamos, estamos a interferir com o desenvolvimento da responsabilidade pelas suas próprias vidas», pondera o pedopsicólogo Anthony Wolf.

Em causa está não só a aprendizagem por tentativa-erro, mas também possíveis falhas por parte dos pais. «Seguir os miúdos…», suspira Jane Bluestein, «eu sei que dá aos pais uma sensação de controlo, mas penso que aponta para problemas maiores na relação (entre pais e filhos): desconfiança, necessidade de controlo, necessidade de pensar pelos seus filhos», enumera a autora de “Pais, Adolescentes e Fronteiras: Como Estabelecer Limites”.

Os pais não devem criar um braço remoto para tentar conter as experiências dos filhos, mas os especialitas admitem que a solução da vigilância electrónica pode ser positiva quando aplicada como uma punição após o erro.

(…)

O reverso da medalha, lembrou (Robert Butterworth) à revista “Newsweek”, é que é perigoso substituir a confiança e a negociação familiar pela tecnologia e que se deve evitar uma “cultura de vigilância” imposta pelos pais.

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