Ética | Argumentar O Mundo de Pernas para o Ar
Antes que este blogue entre em mais um período de escassez, fica por aqui uma reacção a algo que me atingiu subitamente, e que me veio provar que, após 43 anos de vida, podemos continuar inocentemente ignorantes da realidade. Também me veio explicar porque é que vejo tanta gente de sucesso por este mundo fora.
Até mais tarde.
Ao longo da nossa vida pessoal e profissional somos, por diversas vezes, confrontados com situações que exigem de nós um tratamento mais político das nossas convicções, em nome de, digamos, um bem maior.
Falo daqueles pecadilhos que por vezes cometemos, uma omissão aqui, uma declaração mais vaga ali e, por vezes, chegar mesmo ao ponto de soltar a fabulosa sentença tão cristã de “olha para o que digo, não olhes para o que eu faço”.
E são algumas as situações em que tal acontece: o tratamento de uma reclamação de um cliente, um conselho dado ao nosso filho adolescente, uma informação que a nossa chefia nos solicita.
No entanto, estas são situações em que, apesar de uma determinada manipulação do conteúdo, mais por via da escolha semântica, enfim, da forma como apresentamos o assunto, não fazemos cedências em relação àquilo em que realmente acreditamos. Fica connosco a possibilidade de, a qualquer momento, podermos esclarecer devidamente o assunto sem nos tornarmos incoerentes.
Na aula de Teorias da Argumentação de ontem à noite foram constituídos dois grupos para debater um assunto quente da actualidade, o da adopção de crianças por casais homossexuais.
Convém aqui esclarecer que, como muitos saberão, não encontro qualquer impedimento para que esta adopção de crianças por casais homossexuais se possa realizar. Acredito firmemente que um casal homossexual pode ser tão apto a criar uma criança como um casal heterossexual.
Sou, por isso, a favor de uma legislação que o permita, semelhante à existente em países democráticos, humanistas e desenvolvidos, em cujas estatísticas não se vê reflectido algum dado que possa supor que uma criança adoptada por um casal homossexual venha a sofrer traumas psicológicos advindos directamente desse modelo familiar.
Mas calhou-me ter que defender a posição do “contra” e ter que argumentar, em debate que se revelou cerrado, contra a adopção de crianças por casais homossexuais.
A minha primeira dificuldade foi a de arranjar estudos que provassem a existência de sequelas para as crianças nessas circunstâncias. Na realidade, não encontrei nenhum que, apesar da minha ignorância das ciências sociais e psicológicas, não conseguisse refutar baseado em dados simples.
Seria então necessário aproveitar o existente e organizar a informação numa estrutura tal que transforme a falácia em algo congruente e coerente. E assim fiz. More »

