: fractura.net!

sociedade, comunicação, relações públicas

 
 
 
 

Posts tagged interacção social

Teoria da Comunicação #1 | Noções Fundamentais: Escolas Processual e Semiótica

.

[série teoria da comunicação]

NOÇÕES DE COMUNICAÇÃO

De acordo com Raymond Williams, a palavra ‘comunicação’ surgiu na língua inglesa no século XV, derivada do latim communicare – tornar comum, partilhar -, assumindo também o significado de “objecto que é tornado comum”. Com a Revolução Industrial, a palavra vê o seu campo semântico alargado aos meios e vias de comunicação, ficando assim a designar, não só a circulação de informação e ideias, como o transporte de coisas e pessoas. Por fim, já nos anos 20 do passado século XX, esta palavra ‘comunicação’ passa a designar os media, verificando-se então a distinção entre a imprensa ou a rádio e os caminhos-de-ferro ou o navio a vapor.
Mas ainda segundo Williams, esta palavra pode abarcar um sentido duplo enquanto nome de acção: o de transmissão, processo de sentido único; o de partilha, processo comum ou mútuo (Raymond Williams, Keywords, A Vocabulary of Culture and Society, 1988).

A junção das ideias de partilha e comunhão e de transmissão num mesmo campo semântico funda o que será a linguagem dos estudos e teorias da comunicação. Com efeito, James Carey publica um artigo em 1975, no qual distingue duas visões principais da comunicação (James W. Carey, A Cultural Approach to Communication, Mc Quails Reader in Mass Communication Theory, 2002):

  1. Transmissão: «é a mais comum na nossa cultura» sendo «definida com termos como ‘fornecer’, ‘enviar’, ‘transmitir’ ou ‘dar’ informação a outros. É formada a partir de uma metáfora de geografia ou transporte. (…) O centro desta ideia de comunicação é a transmissão de sinais ou mensagens à distância com a finalidade de controlo»
  2. Ritual: «a comunicação está associada a termos como partilha, participação, associação, camaradagem e a posse de uma fé comum (…) Uma visão ritual da comunicação está orientada, não para a extensão das mensagens no espaço, mas sim para a manutenção da sociedade no tempo; não para o facto de fornecer informação, mas sim para a representação de crenças partilhadas»

Mc Quail junta aos dois modelos os do ‘publicitário’ e ‘de recepção’, observando que o modelo transmissivo está mais ligado às ciências sociais, com particular incidência na sociologia, ao passo que o modelo ritual ou culturalista estará mais relacionado com as humanidades, tais como a literatura, a linguística e a filosofia.

ESCOLA PROCESSUAL E ESCOLA SEMIÓTICA

Por seu turno, John Fiske advoga duas escolas principais de comunicação, à semelhança de Carey (John Fiske, Introdução ao Estudo da Comunicação, 2002):

  1. Processual: Concebe a comunicação como transmissão de mensagens, procurando atingir-se determinados efeitos sobre o receptor, centrando-se nas questões da eficácia e da exactidão da comunicação. Relaciona-se sobretudo com as ciências sociais, como a sociologia e a psicologia.
  2. Semiótica: A comunicação surge aqui como a produção e troca de significados resultante da interacção das pessoas com as mensagens ou textos. Centra-se nas questões relacionadas com as diferenças culturais entre receptores e emissores, relacionando-se sobretudo com a linguística e as artes.

Apesar de Fiske seguir Gerbner, definido a comunicação como interacção social através de mensagens, não deixa de observar que, quer o conceito de interacção social, quer o de mensagem, são interpretados de forma diferente pelas duas escolas:

  1. Conceito de Interacção Social
    • Escola Processual: «Processo pelo qual uma pessoa se relaciona com outras ou afecta o comportamento, estado de espírito ou reacção emocional de outra e, é claro, vice-versa».
    • Escola Semiótica: «Aquilo que constitui o indivíduo como membro de uma cultura ou sociedade determinadas».
  2. Conceito de Mensagem
    • Escola Processual: «O que é transmitido pelo processo de comunicação», de modo intencional segundo uns, de modo não intencional ou intencional segundo outros.
    • Escola Semiótica: «Uma construção de signos que, pela interacção com os receptores, produzem significados».

Tanto Carey como Fiske consideram que ambas as escolas da comunicação não são incompatíveis. No entanto, para Fiske estas podem complementar-se, ao passo que para Carey, a comunicação por transmissão acaba por se integrar na comunicação ritual, pressuposição para que a transmissão possa ser efectiva. Assim, segundo Carey, poderá definir-se a comunicação como «o verdadeiro processo social mediante o qual as formas simbólicas significantes são criadas, apreendidas e usadas» ou «um processo simbólico mediante o qual a realidade é criada, partilhada, modificada e preservada».

Share/Save/Bookmark

Bem Vind@!


MyFreeCopyright.com Registered & Protected

Todos os conteúdos originais de CJT publicados neste blogue poderão ser copiados, republicados, adaptados ou modificados, desde que não se destinem a fins comerciais, ficando desde já o agradecimento pela partilha e pelos devidos créditos ao autor. Os conteúdos provenientes de outras fontes poderão ter direitos reservados.


Artigos Recentes

Top 5 (30 dias)

Comunic'Arte

Informação

Inspirações

Leituras