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Posts tagged ora foda-se!

Comunicação Estratégica | Manuela Ferreira Leite

… ou de como os efeitos têm causas e estas por vezes são mais discretas do que seria desejável, ou ainda:
de como se fazem as coisas que até podiam ter piada, se ditas no tasco do Zé, soarem a mais completa atoarda quando se é um político com responsabilidades no principal partido da oposição e se anda muito mal aconselhado, ou ainda:
de como, afinal de contas, até fazia jeito terem contratado a agência de comunicação, ou ainda:
mais uma notícia que não devia ter saído sem censura prévia, ou ainda:
para a Madeira, já!

E, já agora, escutem.

Deve ser desta que me aparece o «O que faz falta aqui é um salazar!»

A Manuela:

«E até não sei se a certa altura não é bom haver seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem e depois então venha a democracia».

O Mestre:

«O processo da democracia parlamentarista está feito; a sua crise é universal.» «Não devemos deixar entrar a desordem onde há ordem.»

Comparação feita pelo Luís Rainha

Vão ver que ainda há-de saír algo do género «Aos blogues não devia ser permitida a escolha dos posts que vão publicar»

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Exaltações | Carta a Fulano

Caro Fulano,
Peço-te desculpa por só agora te responder. Esta demora prende-se com o facto de, contrariamente ao que pensas, eu ter muito mais que fazer senão publicar posts e responder a comentários e e-mails. Embora te possa parecer de difícil compreensão, existe gente que trabalha e que necessita desse trabalho para pagar a comida e, eventualmente, a conta do domínio e da hospedagem do seu sítio na Internet.

Icon of saint Maximus the Confessor

Image via Wikipedia

Pois então falas-me de egos e auto-satisfação, de auto-promoção e de exercício de influências, de vidas virtuais e de virtualidades da vida, de plágios e de “panelinhas” – e pareces falar do alto do púlpito, com a cavernosa voz da moral oca e obscura, pretensa defensora de uma liberdade que não sabes, não compreendes e nem sequer te esforças por compreender, tu que te limitas a ler a voz dos outros e que, como um cú avariado, nem emites traques, nem opinião.

Deixa-me explicar-te devagar.
Eu sou um blogger amador. E entende amador da forma que quiseres: inexperiente, incompetente, o que ama. Qualquer uma se encaixa na perfeição pois que, juntando tudo isso aos restantes adjectivos que possas acrescentar, decerto surgirá um resultado muito próximo da humanidade que me rege a existência, ao contrário da tua que me parece extra-orbital, próxima dos mitos construtores de um mundo de mortais, condição à qual estou certo escapares, baseado que estou no teu tão profundo e-mail.

É por isso que se torna nada mais que natural a presença do meu ego, que tanto te preocupa, nos escritos e divulgações que vou fazendo neste espaço. Nada mais natural, sabendo que assino com o meu nome, que a figurinha que aparece por aí nas caixas de comentários é mesmo a minha e que os textos originais, divulgações ou reproduções reflectem a minha forma de ser, de estar e de pensar.
Transparência é a palavra que resolvo enfim utilizar como forma de explicação para esta condição, coisa a que não me pareces estar lá muito habituado.
Posto isto, e considerado que está notares tu de sobremaneira a imposição do meu ego no blogue que é meu, considero estar explicada a auto-satisfação que não desminto e que, antes pelo contrário, louvo em mim. É esta, afinal, a grande responsável pela continuidade deste blogue, apesar das modestas audiências. Esta e a outra, a mais importante pois, se de números este blogue é modesto, já o mesmo não se pode julgar da qualidade dos leitores, condição essencial para esta existência. Toma como sincero conselho este que te deixo: vai ver quem te visita, de onde vem e porquê. Tenta determinar se cumpres os teus objectivos e os dos teus leitores, sem atraiçoares quem és ou o que pensas. Depois diz-me alguma coisa, se souberes.

A minha auto-promoção é naturalmente feita. Eu convivo com pessoas todo o dia, na minha actividade profissional e escolar e na minha vida privada, que ainda consigo alguma. Não existo fora desta, esta carta que te escrevo contém exactamente as mesmas coisas que te diria pessoalmente, salvaguardada que fica a escolha semântica mais atabalhoada na prova oral.
Não existe, contudo, qualquer desejo de me tornar o que não sou.
Poderás objectar que, por aqui, ninguém me conhece, ninguém sabe de nada da minha vida. É verdade. Este espaço serve essencialmente para registar as coisas que me chamam a atenção num determinado momento e, com sorte, a minha opinião acerca delas.
Arriscaria dizer que já o mesmo não se passa contigo, que revelas uma necessidade qualquer de mostrar, a cada passo, que sabes. E sabes. Muito. Seria bom para ti reconheceres que não sabes muito mais.
Mas eu compreendo essa tua necessidade, que me parece vir da insegurança própria de quem não sabe enfrentar a incapacidade de não ter descoberto ainda o caminho, enfim, o que quer ser quando for grande. Não te preocupes, isso passa. Com o tempo, hás-de chegar à conclusão de que nunca o hás-de saber, guardada fique a tua sanidade e que te permita ela saberes enfrentar essa condição fátua do presente, a única verdade aparentemente objectiva que conhecemos.
Digo-te ainda que as influências que referes estar eu a tentar exercer não são mais que um produto da tua imaginação – ou da tua necessidade de me agradares, uma vez que considero essa tua visão imerecidamente elogiosa. O meu poder, talvez infelizmente, não chega a tanto.

Quanto à tal vida virtual e às virtualidades desta vida, creio ter-te já explicado algo, logo a partir do momento em que te digo que trabalho, estudo e tenho uma família que considero, no entremeio de tudo isto, estar a ser negligenciada. São os custos de resolver, antes de conversar com a minha mulher e o meu filho, estar a responder a e-mails fracos de significância e que, ainda assim, merecem a minha consideração.
Poderás não estar habituado a tal, uma vez que dás tanto valor a alguém que pareces considerar apenas um personagem do Second Life, mas eu existo e a minha vida não é esta. Mas também é.

Quando falas de plágio, referes-te exactamente a quê? Gostaria que me respondesses a esta questão directamente na caixa de comentários deste blogue, com o teu nome lá escrito. A conversa seria decerto bastante mais produtiva.
Eu considero o plágio algo abominável. Trata-se, na sua forma mais simplista, de roubar um filho a outrem.
Eu transcrevo, transcrevo muito. Não sendo um génio, socorro-me do génio de outros, uma característica que a Internet em geral e a blogosfera em particular potenciam, e ainda bem. A conversa é, assim, imensa, e a divulgação e partilha são exponenciais, muito ao meu gosto idealista relativo à utilização deste meio.
Mas hás-de reparar que cada uma das minhas transcrições tem os créditos atribuídos.
Uma forma muito simples de veres de onde estas coisas vêm é leres os posts partilhados no Google Reader, que sei que recebes. E eu recebo os teus.
Reparo, no entanto, que muitas vezes escreves coisas que eu li em outro local qualquer e, por coincidência, muito semelhantes. Terás tu descoberto esses artigos maravilha que te fazem parecer um iluminado? Ou basear-te-ás no que lês e não partilhas, surripiando a ideia, a autoria, o parto de outrem?
São escolhas, e eu nunca tas apontei. Talvez nunca o faça.
Relativamente às “panelinhas”, hás-de reparar que nem sequer política de links eu tenho. O teu blogue está ali na barra lateral; o meu, sei que não consta na tua. Mas não é isso que me interessa.
Também reparo que tens algumas pessoas que aconselham, a cada passo, a leitura dos teus (?) artigos. Hás-de ver que muito pouca gente aconselha os meus. Mas também não é isso que importa.
Falas-me de estar “vendido” a uma rede de influências, a tal “panelinha”… elogias-me uma vez mais. A única rede a que pertenço é à Tubarão Esquilo e, mesmo assim, repararás com facilidade que não tenho obrigação de espécie alguma para com essa rede, comercial, ideológico, editorial, seja de que natureza for.
E de ti? Poderei dizer o mesmo? Por agora posso, porque a insignificância do que escreves, ao contrário do que pensas, em vez de ser influente, apenas auxilia os outros a exercerem a deles. Aos da tua “panelinha”, bem entendido fica.

Finalizo dizendo-te o seguinte: o resto da conversa só terá a continuidade assegurada em sede própria. Porque da minha actividade na blogosfera se trata, a única pergunta que resta fazer é «na tua casa ou na minha?». Por favor não me envies mais e-mails, o teu endereço está na lista de spam.
Dito isto, aconselho-te um chazinho com mel, coisa que te acalmará os nervos e aclarará a voz.

Com estima virtual,
CJT

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Política | Raios Palin Sobre o Terrorismo

E ela diz:

«I don’t know if abortion clinic bombers are terrorists…»

E pede o Golfinho:

«Could somebody, anybody, put this abomination in a mental institution, right now?»

E digo eu:

«E depois rimo-nos de quê? Já reparaste que o McCain parece nem sequer entender muito bem o que se está a passar?»

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Porto | Coma Profundo

Diz o Filinto Melo:

Clamou-se tanto contra a falta de animação na cidade do Porto que quando ela surge… chama-se a polícia e fala-se de botellón. Não é fácil entender que “a movida” - porque não lhe chamam movida e em vez de botellón? - que se passa no centro da cidade, seja de dia ou de noite, seja contraproducente à ideia de revitalizar o Porto. Não o Porto das “instituições” mas o Porto da gente. Como diria o Chichorro, a lei do tabaco e a colocação de esplanadas fez mais pela animação da cidade do que anos de uma política coerente das instituições.

E quem passe pelas ruas do Porto sabe bem a falta que faz a “movida”. E a seguir? Corpo de Intervenção para o “Piolho”? O que se quer, afinal, é isto…

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Discriminação | Carlindo Vieira, do Diário do Minho, e os Gays Defeituosos e Outros “Que Ali Foram Cair”

Carlindo Vieira escreve no Diário do Minho, desta feita acerca do casamento homossexual. A chamada de atenção chega-me das mãos da Ana Matos Pires que aponta para o Pedro Morgado, responsável pela divulgação denúncia do que se traduz num insulto grave à comunidade homossexual. Lamentavelmente, no momento em que escrevo este artigo, não consigo acesso ao artigo original. Não sei se por culpa da minha rede ou por causas relacionadas com a rede do jornal, o link fornecido não chega a lado algum. Ficamos, assim, com o parágrafo reproduzido no Avenida Central que, pela qualidade que apresenta, deverá reflectir bem o tom do restante artigo do tal Carlindo Vieira:

«Por isso, com todo o respeito pelas pessoas nascidas com esse defeito e, até, pelas que ali foram cair, não podemos concordar com a equiparação dessa união ao casamento legal. Seria até caso para exclamar a conhecida frase de um pensador: – “Quanto mais conheço os homens, mais amo os cães.»

 

: fractura.net! » Discriminação | Carlindo Vieira, do Diário do Minho, e os Gays Defeituosos e Outros
 

Este parágrafo reflecte, antes de mais, a mais profunda incapacidade de compreender a homossexualidade como uma opção de vida. Para o autor, pessoa com alguma ressonância religiosa, a homossexualidade só pode ser vista como doença ou defeito ou vício. Ou se tem um defeito ou se lá foi cair.

Depois, atesta sabiamente uma conclusão com o conhecido aforismo acerca do conhecimento dos homens. Talvez isto se trate de um deslize freudiano.
Cá por mim, relacionando-me tão bem com Carlindo Vieira como me relaciono com homossexuais e, porque não, com cães - isto é, à breve distância da humanidade igual entre si e para com os animais -, e lendo os livros que leio actualmente, um tanto ou quanto diferentes dos pergaminhos religiosos que parecem povoar a mente do autor e que já tive a oportunidade de consultar, quer-me parecer que o home está a ter uma espécie de epifania: não tendo nascido defeituoso, poderá ter sentido urgências em ”ir lá cair” e, não gostando da coisa - va de retro!, literalmente - , terá acabado por se dedicar aos cães.

Cá por mim, não vem grande mal ao mundo, embora tenha algumas dúvidas em relação à vontade consciente dos canídeos em satisfazer as pretensões, decerto legítimas, de Carlindo Vieira.

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