Caro Fulano,
Peço-te desculpa por só agora te responder. Esta demora prende-se com o facto de, contrariamente ao que pensas, eu ter muito mais que fazer senão publicar posts e responder a comentários e e-mails. Embora te possa parecer de difícil compreensão, existe gente que trabalha e que necessita desse trabalho para pagar a comida e, eventualmente, a conta do domínio e da hospedagem do seu sítio na Internet.

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Pois então falas-me de egos e auto-satisfação, de auto-promoção e de exercício de influências, de vidas virtuais e de virtualidades da vida, de plágios e de “panelinhas” – e pareces falar do alto do púlpito, com a cavernosa voz da moral oca e obscura, pretensa defensora de uma liberdade que não sabes, não compreendes e nem sequer te esforças por compreender, tu que te limitas a ler a voz dos outros e que, como um cú avariado, nem emites traques, nem opinião.
Deixa-me explicar-te devagar.
Eu sou um blogger amador. E entende amador da forma que quiseres: inexperiente, incompetente, o que ama. Qualquer uma se encaixa na perfeição pois que, juntando tudo isso aos restantes adjectivos que possas acrescentar, decerto surgirá um resultado muito próximo da humanidade que me rege a existência, ao contrário da tua que me parece extra-orbital, próxima dos mitos construtores de um mundo de mortais, condição à qual estou certo escapares, baseado que estou no teu tão profundo e-mail.
É por isso que se torna nada mais que natural a presença do meu ego, que tanto te preocupa, nos escritos e divulgações que vou fazendo neste espaço. Nada mais natural, sabendo que assino com o meu nome, que a figurinha que aparece por aí nas caixas de comentários é mesmo a minha e que os textos originais, divulgações ou reproduções reflectem a minha forma de ser, de estar e de pensar.
Transparência é a palavra que resolvo enfim utilizar como forma de explicação para esta condição, coisa a que não me pareces estar lá muito habituado.
Posto isto, e considerado que está notares tu de sobremaneira a imposição do meu ego no blogue que é meu, considero estar explicada a auto-satisfação que não desminto e que, antes pelo contrário, louvo em mim. É esta, afinal, a grande responsável pela continuidade deste blogue, apesar das modestas audiências. Esta e a outra, a mais importante pois, se de números este blogue é modesto, já o mesmo não se pode julgar da qualidade dos leitores, condição essencial para esta existência. Toma como sincero conselho este que te deixo: vai ver quem te visita, de onde vem e porquê. Tenta determinar se cumpres os teus objectivos e os dos teus leitores, sem atraiçoares quem és ou o que pensas. Depois diz-me alguma coisa, se souberes.
A minha auto-promoção é naturalmente feita. Eu convivo com pessoas todo o dia, na minha actividade profissional e escolar e na minha vida privada, que ainda consigo alguma. Não existo fora desta, esta carta que te escrevo contém exactamente as mesmas coisas que te diria pessoalmente, salvaguardada que fica a escolha semântica mais atabalhoada na prova oral.
Não existe, contudo, qualquer desejo de me tornar o que não sou.
Poderás objectar que, por aqui, ninguém me conhece, ninguém sabe de nada da minha vida. É verdade. Este espaço serve essencialmente para registar as coisas que me chamam a atenção num determinado momento e, com sorte, a minha opinião acerca delas.
Arriscaria dizer que já o mesmo não se passa contigo, que revelas uma necessidade qualquer de mostrar, a cada passo, que sabes. E sabes. Muito. Seria bom para ti reconheceres que não sabes muito mais.
Mas eu compreendo essa tua necessidade, que me parece vir da insegurança própria de quem não sabe enfrentar a incapacidade de não ter descoberto ainda o caminho, enfim, o que quer ser quando for grande. Não te preocupes, isso passa. Com o tempo, hás-de chegar à conclusão de que nunca o hás-de saber, guardada fique a tua sanidade e que te permita ela saberes enfrentar essa condição fátua do presente, a única verdade aparentemente objectiva que conhecemos.
Digo-te ainda que as influências que referes estar eu a tentar exercer não são mais que um produto da tua imaginação – ou da tua necessidade de me agradares, uma vez que considero essa tua visão imerecidamente elogiosa. O meu poder, talvez infelizmente, não chega a tanto.
Quanto à tal vida virtual e às virtualidades desta vida, creio ter-te já explicado algo, logo a partir do momento em que te digo que trabalho, estudo e tenho uma família que considero, no entremeio de tudo isto, estar a ser negligenciada. São os custos de resolver, antes de conversar com a minha mulher e o meu filho, estar a responder a e-mails fracos de significância e que, ainda assim, merecem a minha consideração.
Poderás não estar habituado a tal, uma vez que dás tanto valor a alguém que pareces considerar apenas um personagem do Second Life, mas eu existo e a minha vida não é esta. Mas também é.
Quando falas de plágio, referes-te exactamente a quê? Gostaria que me respondesses a esta questão directamente na caixa de comentários deste blogue, com o teu nome lá escrito. A conversa seria decerto bastante mais produtiva.
Eu considero o plágio algo abominável. Trata-se, na sua forma mais simplista, de roubar um filho a outrem.
Eu transcrevo, transcrevo muito. Não sendo um génio, socorro-me do génio de outros, uma característica que a Internet em geral e a blogosfera em particular potenciam, e ainda bem. A conversa é, assim, imensa, e a divulgação e partilha são exponenciais, muito ao meu gosto idealista relativo à utilização deste meio.
Mas hás-de reparar que cada uma das minhas transcrições tem os créditos atribuídos.
Uma forma muito simples de veres de onde estas coisas vêm é leres os posts partilhados no Google Reader, que sei que recebes. E eu recebo os teus.
Reparo, no entanto, que muitas vezes escreves coisas que eu li em outro local qualquer e, por coincidência, muito semelhantes. Terás tu descoberto esses artigos maravilha que te fazem parecer um iluminado? Ou basear-te-ás no que lês e não partilhas, surripiando a ideia, a autoria, o parto de outrem?
São escolhas, e eu nunca tas apontei. Talvez nunca o faça.
Relativamente às “panelinhas”, hás-de reparar que nem sequer política de links eu tenho. O teu blogue está ali na barra lateral; o meu, sei que não consta na tua. Mas não é isso que me interessa.
Também reparo que tens algumas pessoas que aconselham, a cada passo, a leitura dos teus (?) artigos. Hás-de ver que muito pouca gente aconselha os meus. Mas também não é isso que importa.
Falas-me de estar “vendido” a uma rede de influências, a tal “panelinha”… elogias-me uma vez mais. A única rede a que pertenço é à Tubarão Esquilo e, mesmo assim, repararás com facilidade que não tenho obrigação de espécie alguma para com essa rede, comercial, ideológico, editorial, seja de que natureza for.
E de ti? Poderei dizer o mesmo? Por agora posso, porque a insignificância do que escreves, ao contrário do que pensas, em vez de ser influente, apenas auxilia os outros a exercerem a deles. Aos da tua “panelinha”, bem entendido fica.
Finalizo dizendo-te o seguinte: o resto da conversa só terá a continuidade assegurada em sede própria. Porque da minha actividade na blogosfera se trata, a única pergunta que resta fazer é «na tua casa ou na minha?». Por favor não me envies mais e-mails, o teu endereço está na lista de spam.
Dito isto, aconselho-te um chazinho com mel, coisa que te acalmará os nervos e aclarará a voz.
Com estima virtual,
CJT
October 30th, 2008 | Tags: Blogosfera, ora foda-se! | Category: Entre Parêntesis | Comments (2)