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Posts tagged responsabilidade social

Blogosfera | O Estatuto Blogger

Uma das principais objecções à constituição de um estatuto de blogger, código deontológico, directrizes éticas, ou o que lhe queiram chamar, parece ser o da possibilidade de limitação da liberdade de expressão e de pensamento.
Creio que essa é uma falsa questão e que, antes pelo contrário, a criação de tal código seria uma garantia dessa mesma liberdade.

Nunca se viu anteriormente tanta reacção negativa à prática do blogging por parte de todos os que teimam em conservar o poder da informação e comunicação nas suas mãos. Tentativas de supressão de direitos, eliminação de blogues, queixas e processos criminais, têm aparecido nos últimos tempos, tendo todos esses atentados à liberdade um denominador comum: o da pretensa falta de ética.
Por outro lado, a própria blogosfera contribui para a canibalização dessa liberdade, ao estruturar-se numa compartimentação ao sabor das influências, chegando por vezes mesmo ao ponto de ostracizar blogues que não fluam ao sabor da maré.

A minha ideia de código deontológico alberga determinados propósitos e objectivos que, a meu ver, poderão resolver alguns problemas com que os bloggers se deparam:

  • A criação de um directório de blogues socialmente responsáveis;
  • A consequente criação de um tipo qualquer de associação de bloggers;
  • A percepção pública da responsabilidade comunicacional da blogosfera.

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Blogosfera | Dia de Activismo Contra a Pobreza

É no próximo dia 15 de Outubro que a blogosfera se une contra a pobreza, em mais uma iniciativa anual da Blog Action Day.

Não tem nada que saber: basta registar o seu blog, adquirir um banner, e publicar um post na data indicada. Com mais um esforço até pode contribuir de formas mais elevada$…

Aos blogues corporativos: que tal mostrar um pouco de responsabilidade social de uma forma muito simples e contribuindo realmente para a tentativa de eliminação de um flagelo?

A pobreza é um mal social inadmissível no século em que vivemos. A pobreza é mãe da ignorância, do abuso de poder, do estupro, da doença física e mental, da violência, enfim, da perda da dignidade humana.

Nunca antes existiu tanta tecnologia e saber económico para debelar um dos mais podres dos males e, no entanto, continuamos a viver o mundo como se não houvesse amanhã, desperdiçando recursos, tempo, alimento, dinheiro, gastando mais do que o necessário em coisas supérfluas, cuja despesa poderia reverter em favor dos mais necessitados.

Continuamos a queimar excedentes para garantir preços, continuamos a terceirizar a produção em países subdesenvolvidos, em nome da santa globalização financeira.

Acabamos por viver no e do consumo sem no entanto, deixarmos o que de mais importante poderíamos ter deixado: a nossa assinatura indelével no sorriso de alguém que, finalmente, tem recursos para recuperar a dignidade perdida.

Repensemos então para que serve esta coisa da Internet, mãe da globalização moderna, e ferramenta preferencial para o activismo em favor da justiça social e façamos algo tão simples como um post, no dia 15 de Outubro.

E não há nada como o escrever já e programar a sua publicação… antes que esqueça.

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Comunicação Institucional #3 | O Papel da Organização na Sociedade Actual: Responsabilidade Social, Comunicar com a Comunidade, Estratégia de Silêncio

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a partir de Daniel Scheinsohn, [série: comunicação institucional]

RESPONSABILIDADE SOCIAL

Detivemo-nos um pouco na discussão em torno da ética nos negócios pois este tema é emergente e a sua maior importância reside no facto de a sua causa ter origem na cada vez maior exigência da sociedade face às organizações, não só nas vertentes dos produtos e serviços de qualidade, mas também, e muito importante, no cumprimento de um papel social responsável.

O futuro da sociedade, produto de duzentos e cinquenta anos de desenvolvimento tecnológico, industrialização e capitalismo financeiro, não é o mais prometedor devido à ameaça das forças que a sua própria dinâmica desencadeou: a internacionalização dos mercados, a incidência em países em vias de desenvolvimento e com salários paupérrimos, etc.
Apesar disso, a organização tem a responsabilidade de trabalhar em prol de um futuro que valha a pena viver, procurando criar a riqueza que o número crescente de pessoas necessita para subsistir sem ver diminuída a sua qualidade de vida.
Esta função das organizações pode ser cumprida apenas se assumida a responsabilidade social que a sociedade lhe exige, no mínimo em dois factores:

  • Aceitar que a organização não é um organismo isolado dos problemas que se apresentam às sociedades, devendo ser parte activa na sua abordagem e resolução; e
  • Conseguir a máxima integração e participação dos seus colaboradores, tornando-se uma instituição especial para eles ao permitir-lhes realizar-se pessoalmente e participar num serviço colectivo.

COMUNICAR COM A COMUNIDADE

Embora a ideia da importância do papel da organização como motor de desenvolvimento vá amadurecendo, é provável que existam ainda embates com diversos sectores, forças que tentam e tentarão obter a simpatia dos públicos, para que a pressão que exercem conte com um apoio massivo e não se circunscreva a um âmbito sectorial.
Deve ser tido em linha de conta um velho axioma da comunicação empresarial:

«Ante um conflito, o melhor momento para ganhar a adesão das pessoas é o momento prévio ao desencadeamento do conflito.»

Que quer isto dizer?
A organização deve adoptar uma atitude pró-activa, tomando a iniciativa do debate, entendendo que se o adequado relacionamento com a comunidade traz aliados, o seu isolamento não os trará.
Numa sociedade em constante mudança e amadurecimento, os papéis intercambiam-se, sendo um dos momentos mais difíceis de cada um dos intervenientes aquele em que tem que assumir um novo papel. Esta é uma espécie de problema em que grande parte dos gestores de hoje se vê envolvida.
Exemplo dessa situação é a relação da organização com os diferentes media, quase sempre delicada e por vezes traumática, relação por vezes confusa para ambas as partes que se incluem no contexto turbulento em que vivemos.
Mas é lógico que uma sociedade em evolução exija cada vez mais e melhor informação das organizações.

Uma gestão passiva, mera receptora de mensagens, limita-se a procurar informação de qualidade acerca do sector onde opera.
Por outro lado, uma gestão activa, que protagoniza um papel na sociedade, para além de procurar essa informação, produz ela própria informação que submete aos públicos e à sociedade em geral.
Compreende que o seu protagonismo, a sua responsabilidade comunitária, se exerce, de entre outras formas, pela informação disponibilizada acerca da própria organização.
Não entender isto é comportar-se como se exista o direito de saber o que se passa em casa do vizinho sem assumir o compromisso de falar sobre a sua própria casa, posição obviamente cómoda mas desde a qual não é possível sequer pensar num jornalismo empresarial sério ou numa relação madura entre as organizações e os media.

Todas as organizações são fontes de informação válida, genuína e de interesse. Trata-se de entender que esta é uma estrada de duas vias: se solicito informação sobre terceiros acerca dos assuntos que realmente me importam (estilo de gestão, estratégias de marketing, área financeira, etc.), não posso supor ingenuamente que esses terceiros se conformarão com uma simples informação minha alertando para o quinquagésimo aniversário da minha empresa no próximo mês.
Devemos acabar com o estilo “informo o que quero (ou nada) acerca da minha organização.”

As organizações devem preocupar-se em saber qual a informação acerca de si é procurada pela sociedade da qual toma parte e em relação à qual tem responsabilidades e, quer o queira quer não, goste ou não, disponibilizá-la.

A “ESTRATÉGIA DO SILÊNCIO”

Algumas organizações optam por manter-se em silêncio, sem fazer “demasiado ruído”, estimulando apenas o consumo e a recolher os seus frutos. É necessário e urgente que os gestores dessas organizações reconheçam os benefícios de estabelecer uma “boa comunicação” com todos e cada um dos públicos.
Tudo quanto uma empresa faça é comunicado, mesmo não o sabendo. A escolha não é entre comunicar ou não, mas sim optar entre comunicar bem ou mal.

Sociedades participativas e exigentes, rivalidade competitiva, exigências contraditórias dos diferentes públicos, configuram-se em contornos complexos e hostis, pelo que uma gestão adequada da comunicação constitui um factor crítico para o êxito da organização: as organizações que não façam uma gestão competitiva das suas comunicações não conseguirão sobreviver.

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Comunicação Institucional #2 | O Papel da Organização na Sociedade Actual: Ética Empresarial, Filosofia Moral, Problemas Relacionados

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a partir de Daniel Scheinshon, [série: comunicação institucional]

Nos tempos actuais verificam-se algumas modificações no cenário em que as organizações actuam, cujos factores constituem importantes gatilhos para a crescente importância da comunicação organizacional, a par de uma redefinição do papel que estas crêem ter na sociedade
O público exige agora transparência e honestidade ao mundo organizacional, podendo ser considerado que as organizações se deparam com, pelo menos, três fontes de pressão:

  • Os desenvolvimentos tecnológicos que mudam rapidamente o contexto em que a organização actua;
  • A globalização da economia; e
  • A exigência à organização de comportamentos éticos pelos mais diferentes sectores da sociedade.

A sujeição das organizações a estas fontes de pressão pode ser representada graficamente:

A EXIGÊNCIA DE COMPORTAMENTOS ÉTICOS

Os teóricos das ciências empresariais não parecem, até à data, ter conseguido dar resposta aos complexos dilemas éticos com que os gestores se deparam diariamente.
Durante a década de 1970 surge a fulgurante disciplina de ética empresarial, cujos princípios contrariavam a teoria segundo a qual “a ética comporta benefícios”, declarando que a ética e os interesses podem estar em conflito.
Os académicos sustentavam que as motivações de um gestor podiam ser de origem altruísta ou de interesse próprio, mas nunca por ambas.
Actualmente nasce uma nova ética empresarial que reconhece e aceita a complexa teia de motivações interligadas.

Para além das centenas de cursos de ética empresarial leccionados em 90% dos cursos das escolas empresariais dos EUA e dos 16 centros de investigação que confirmam o prestígio desta cátedra, algumas investigações levadas a cabo no final do séc. XX revelam que mais de três quartos das grandes corporações dos Estados Unidos incluem esta temática no seu seio, sendo esta bem recebida pelos gestores que agradecem qualquer ajuda concreta que os auxilie a ultrapassar os principais desafios que enfrentam:

  • Identificar formas de actuação éticas que possam ser aplicadas em situações localizadas na “zona cinzenta” das condutas que não são nitidamente correctas ou incorrectas; e
  • Como se movimentarem nas situações em que, apesar de a forma de actuação ser correcta, as pressões competitivas externas e corporativas “desencaminham” muitos gestores bem intencionados.

Apesar disso, até há pouco tempo a disciplina da ética empresarial não dava resposta a essas duas áreas pois muitos dos teóricos falavam de uma moral afastada das preocupações reais das pessoas que têm a seu cargo a tomada de decisões. Felizmente, nos últimos anos tem vindo a verificar-se uma inversão nesse desfasamento com um número considerável de teóricos a debruçarem-se na investigação a partir das necessidades próprias da actividade de gestão.

FILOSOFIA MORAL E ÉTICA EMPRESARIAL

Os defensores da responsabilidade social afirmavam, desde as décadas de 1960 e 1970, que se a curto prazo a conduta ética pode provocar danos nos ganhos imediatos da organização, a longo prazo, o mercado acaba por premiar essa conduta, isto é, “a ética produz benefícios”.
No entanto, sempre existiu a dificuldade de explicar aos gestores porque deveriam ser éticos, a par da explicação acerca de que forma poderiam eles determinar uma forma de actuação ética e, ainda assim, manterem-se à frente ante as pressões da concorrência.
Com a intenção de responder a esta pergunta apareceu nos anos 70 a nova disciplina de “ética empresarial”, que introduzia a matéria de “filosofia moral” nas escolas empresariais, que supostamente traria conhecimentos teóricos e ferramentas úteis para que os gestores pudessem discernir a acção mais apropriada quando confrontados com uma dúvida de origem ética. Lamentavelmente, tal não ocorreu.
O problema residia no facto de ser a filosofia moral uma disciplina que atribui um elevado valor a tipos de experiências e actividades onde não exista um interesse próprio, pelo que os seus teóricos, uma vez mais longe de dar um passo na direcção dos problemas morais do mundo real, tornaram a andar às voltas em torno da pergunta fundamental: porque devem os gestores ser éticos?

Os teóricos da ética empresarial discordam do princípio segundo o qual “a ética produz benefícios” pois, segundo eles, a ética nem sempre coincidem com os interesses da organização, chegando mesmo a afirmar que quando “fazer bem” coincide com os interesses da organização, os actos motivados por esse interesse próprio não podem ser éticos.
Querem dizer com isto que, na realidade, a ética empresarial implica actuar nos negócios impulsionados por razões que não pertencem ao mundo dos negócios.

O PROBLEMA DESTAS LINHAS DE RACIOCÍNIO

O problema destas duas linhas de pensamento reside sobretudo no facto de ambas terem sido levadas ao extremo.
No caso do conflito entre a ética e os interesses, a dúvida dos gestores não reside na determinação da ocorrência desses conflitos. Os gestores querem saber como geri-los.
Infelizmente, os teóricos não têm oferecido um auxílio capaz em relação a esta dúvida.

Estes teóricos devem começar a pensar seriamente nos custos e benefícios que, por vezes, comporta o “fazer correctamente” e devem ajudar os que estão encarregados de avaliar situações difíceis, em que cada uma das alternativas de resolução representa um custo moral e um custo financeiro.
Da mesma forma, nas situações em que não existe conflito entre a ética e o interesse, devem ocupar-se do “paradoxo da motivação”, já que a etiologia das condutas da maioria das pessoas se trata de uma complexa mistura de interesse próprio, altruísmo e outras influências.

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