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Semi-Óptica | Luís Paixão Martins é o Demónio!

O título do trabalho de António José Vilela é “Quem se mete com o LPM leva” e, aparte a falta da vírgula antes do ‘leva’, tudo poderia ter corrido bem no trabalho. Mas não correu. O sub-título remete-nos, primeiro, para a repetição da fórmula “agência de comuicação do regime”, coisa que fica sempre bem constatar e de que Luís Paixão Martins se orgulha - pudera! -, dizendo-nos de seguida que o homem é lobista - ò céus! - controverso e que trata da imagem do governo angolano, em época de eleições.

Os destaques dizem-nos que foi Luís Paixão Martins quem negociou a última entrevista de Pinto da Costa à SIC e que Miguel Sousa Tavares firma que são os piores jornalistas quem compõe as agências de comunicação. Assim de mote lançado para quem não tenha pachorra para ler entrevistas, ficamos desde logo a saber que:

Luís Paixão Martins se move nos corredores cinzentos e tenebrosos do poder, fazendo lóbi - ò céus!, outra vez -, que as suas influências nos “powers that be” se estendem além fronteiras, sendo certo que se trata, afinal, de um mau jornalista que resolveu passar para “o lado escuro da Força”.

Lida a entrevista, coisa que se revela profundamente inútil, ficamos a saber mais algumas coisas acerca de Luís Paixão Martins: veste Hugo Boss e tem um Mercedes-Benz E220 - a comprovar que o Demónio tem bom gosto - e um motorista chamado Carlos - olá Carlos! - para além da escola que frequentou, alguns dos clientes que tem, das tricas com a comunicação social e do litígio com uma antiga funcionária. Tem dois netos e um filho de 30 anos que trabalha com ele e é inimigo figadal de Cunha Vaz.

Claro que também sabemos de um processo de Miguel Sousa Tavares, o tal que afirma que «nas agências estão os piores jornalistas, aqueles que falharam como jornalistas». Miguel Sousa Tavares é, como sabemos, um exemplo perfeito do excelente jornalista.

Os gostos de Luís Paixão Martins: Para além de uma viagem em sonho ao Vietname, tem um Mercedes-Benz E220, um relógio Cartier, um fato Hugo Boss, comidinha no Gambrinus e gosta do “Laranja Mecânica” de Kubrick. Deve ser, realmente, um “gosto”, o de receber 9.000 euros de ordenado.

E a leitura da fabulosa entrevista (perfil, dizem) fica assim quase completa, excluídos que ficam os fait-divers: quase tudo o que de importante havia a registar acerca do dono da LPM está escrito. Nada mais haveria a perguntar acerca da actividade de Luís Paixão Martins. Tudo o que ele pensa da gestão da comunicação das maiores empresas do país, tudo o que ele pensa da gestão da comunicação dos partidos políticos e da sua imagem, o que pensará ele, enfim, da estratégia da comunicação e da sua prática, são coisas que ficaremos a saber numa próxima entrevista, eventualmente feita por um jornalista.

Mas as perguntas, as importantes, ficam por responder: Quais as preferências sexuais de Luís Paixão Martins? Quem é o decorador da sua casa? Que pensa ele do verão allgarvio? Onde costuma ir beber um copo à noite? Isto sim, seria a glória de António José Vilela, a mais completa entrevista ao Demónio.

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