Não ligo peva aos cornos que o Ministro da Economia ofereceu ao deputado e não concordo com os que dizem que esse gesto reflecte o estado da nação.
A nação não costuma ser assim tão sincera.
Os deputados, com cornos ou sem eles, os governantes, com cornos ou sem eles, são somente responsáveis por transformarem Portugal no país que é agora: um país do terceiro-mundo, mas com televisão a cores e um Estádio da Nação.

3 | 07 | 2009
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É algo irónico que num local como a Assembleia da República, onde se digladiam retóricas e argumentos que não passam de mentiras e contra-mentiras, onde se esgrimam passados sem cuidar, verdadeiramente, do futuro, uma sessão acabe com a demissão do único elemento que foi capaz de um gesto genuíno.
Argumentemos que se ultrapassou a decência que a solenidade impõe e que a Assembleia da República não é local de garraiada não esquecendo, porém, que não é somente na atitude histriónica que o desrespeito se verifica. Há-os bem mais acalorados e intempestivos, bem mais mal-educados e mal-intencionados em muitas palavras deixadas no habitual discurso de deputado e governante, embora escondidos sob a capa da regra que permite, na política, ir um pouco mais além do que na vida privada, no que à utilização do insulto e de expressões atentatórias da integridade dos oponentes.
Na vida política tudo é permitido, desde que não se desça do patíbulo e se tome a linguagem da plebe.
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